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Terça-feira, 24 de Março de 2009
Divorciados Recasados (II)
 

1.Um dos chefes de redacção do jornal católico francês, La Croix, Michel Kubler, no Editorial de 13 de Março (2009), ao comentar a carta de Bento XVI aos bispos, carta de um Papa profundamente magoado, pergunta se a “crise integrista” não será o sintoma de uma crise mais ampla, na Igreja e da Igreja. Ao levantar esta hipótese, não pretende tornar esse quadro ainda mais negro. Procura, apenas, saber onde estão as causas deste drama. Não resultarão elas, em grande parte, do crescente mal-estar de um sistema católico, cuja lógica e discurso são cada vez menos compreensíveis pela cultura ocidental? Não admira que os membros da Igreja, tributários desse sistema e dessa cultura, se encontrem cada vez mais divididos entre ambos. Deparamos, todos os dias, com testemunhos desse disfuncionamento e tudo se complica quando o sistema é usado com dois pesos e duas medidas.


Na eleição deste Papa, muitos católicos pensaram que Bento XVI não poderia ser a continuação do cardeal Ratzinger. Teria de compreender que as suas simpatias pessoais pelas correntes mais conservadoras e as suas alergias pelas teologias modernas não poderiam ser o critério de governo do animador do grande e plural Movimento que é a Igreja Católica. Agora, essa predisposição parece estar em crise, sobretudo no seu país: a Conferência Episcopal Alemã queixa-se de uma grande falta de colegialidade; o semanário Der Spiegel foi ao ponto de escrever que “um papa alemão ridiculariza a Igreja católica”; não faltaram teólogos a declarar que, “se o Papa quer fazer alguma coisa boa pela Igreja, que se demita”. Tal gesto não teria, aliás, nada de humilhante, pois, se os bispos entregam os seus cargos aos 75 anos, se os cardeais perdem os seus direitos aos 80, um Papa, cuja função é muito mais pesada, não deveria esperar por uma idade muito avançada para renunciar ao cargo. Devo observar, no entanto, que esta consideração tão sensata ter-nos-ia privado do velho mais jovem e criativo da Igreja no século XX: o Papa João XXIII.


2. As expressões de abertura, compreensão, generosidade e acolhimento de Bento XVI, em relação à sectária “Fraternidade de São Pio X”, não impedem de marcar os seus defeitos nem de destacar as qualidades que o comovem, sublinhando que não pode deixar ao abandono, por razões mesquinhas, 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis.
Não seria esta uma boa ocasião para iniciar passos de aproximação e abertura em relação a movimentos, comunidades de base, bispos, teólogos, padres e leigos, que as atitudes e medidas de Ratzinger, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, contribuíram para afastar das instituições da grande Igreja Católica? Não são da Igreja apenas os que olham para o passado, mas também os que olham para o presente, para os lados e para o futuro. O chamado sistema católico parece ter perdido o sentido da catolicidade, da inclusão das vozes mais críticas e criativas que vivem um diálogo activo com o que há de melhor no mundo moderno e na diversidade das culturas.


3. É neste contexto que Bento XVI deveria ser convidado a rever a triste carta Aos bispos da Igreja Católica a respeito da recepção da comunhão eucarística por fiéis divorciados novamente casados, que o cardeal Ratzinger assinou, em 1994.


Não se pode esquecer que o ser humano vive uma realidade física, psíquica e relacional numa história familiar muito complexa. Os sacramentos são para os seres humanos, não os seres humanos para os sacramentos. São celebrados, de forma ritual, para que, no quotidiano e nos momentos mais típicos da sua existência, possam viver a fé com esperança e responsabilidade.
A graça do matrimónio não substitui a natureza. Um fracasso matrimonial não é sempre o resultado de um pecado ou de uma infidelidade à graça nem incapacita, automaticamente, as pessoas divorciadas para um novo casamento. São conhecidas muitas experiências que testemunham que a nova relação resultou de um verdadeiro encontro com o amor humano e divino. As Igrejas do Oriente, com as quais a Igreja Católica Romana esteve em comunhão até ao século XI, souberam compreender essa situação humana e eclesial. Foi, aliás, por isso que, no Concílio de Trento, continuando a afirmar a indissolubilidade do matrimónio – e não se pode renunciar a esse horizonte – não a definiu como um dogma de fé, como alguns desejavam.
Não seria importante que, depois de uma ampla consulta, se reunisse um Concílio Ecuménico das Famílias – representantes das várias tendências – para perspectivar uma pastoral matrimonial que substitua o moralismo por uma ética e uma mística verdadeiramente cristãs? “De uma vez por todas, foi-te dado apenas um breve mandamento: ama e o que quiseres faz. Se te calas, cala-te movido pelo amor; se falas alto, fala por amor; se corriges, corrige por amor; se perdoas, perdoa por amor. Tem no fundo do coração a raiz do amor. Dessa raiz só pode sair o bem”. Isto dizia Sto Agostinho, no Tempo Pascal do ano 407.
Não é, certamente, dessa raiz que nasce o farisaísmo de certas comunidades paroquiais que apontam o dedo à situação matrimonial de outros irmãos.


 Frei Bento Domingues, o.p.

 

 

publicado por Re-ligare às 11:03
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