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Domingo, 15 de Março de 2009
Divorciados recasados
 

1.Este tema não é novo no tempo destas crónicas. Que me lembre, comecei logo, em 1993, com um texto sobre “Casar, descasar e recasar” e não foi a última vez. Por outro lado, em 1995, aparecia, na colecção “Nova Consciência” do Círculo de Leitores, “Os divorciados e a Igreja”. Na introdução que escrevi, fiz o ponto do debate que se tornara muito vivo acerca do acompanhamento pastoral dos divorciados recasados e que tinha envolvido conferências episcopais de vários países. A Congregação para a Doutrina da Fé dirigiu uma carta aos bispos da Igreja Católica a respeito da comunhão eucarística por divorciados novamente casados (1994): os fiéis não estão excluídos da comunhão eclesial e devem ser cuidadosamente acompanhados na sua caminhada cristã. Dada, porém, a situação matrimonial irregular, não podem receber a comunhão eucarística.
O cardeal Trujillo, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, embora tenha destacado, em 2008, que os casais em crise não devem sentir a Igreja como ausente, intolerante ou madrasta, não abriu um caminho novo: a Igreja continua a tentar formas de convencer e explicar por que motivo os recasados não podem receber a Eucaristia, mas nutre a esperança de que, no final, a Palavra do Senhor, que está acima do papa e dos bispos, será melhor compreendida. Por agora, só pode dizer-lhes: são católicos, podem ir à missa, participar de certas acções da Igreja, de iniciativas de caridade e oração. Bento XVI censurou, no mesmo ano, os bispos franceses por consentirem em iniciativas destinadas a abençoar as uniões de católicos divorciados. A vontade de Deus e as leis da vida que Ele nos deu não podem ser relativizadas. O Sínodo dos Bispos discutiu, mas não deixou nenhuma indicação precisa ao Papa. Este lembrou que o único recurso canónico disponível, para os que casaram com rito religioso – mas apenas por convenção cultural – e acabaram separando-se, é a declaração de nulidade do primeiro casamento enquanto “sacramento celebrado sem fé”.
Resumindo e concluindo: os católicos recasados pelo civil continuam a ser membros da Igreja, a ser convidados para a Ceia eucarística, mas ficam avisados de que não podem tocar nessa comida: está aqui, mas não é para vós. Podem e devem, no entanto, escutar a Palavra e rezar.


2. Diz-se que é
 uma solução simplista e de consequências nefastas para a vida pastoral da Igreja Católica. Foi, aliás, o que pude verificar no primeiro dos Colóquios sobre a Fé do passado dia 5, na Igreja Matriz de Ponta Delgada, completamente cheia, com a seguinte interrogação: Os Divorciados / Recasados: Que Lugar na Igreja? Participavam na Mesa duas pessoas divorciadas recasadas, testemunhando a sua profunda fé católica, mas sem perceberem por que razão o casamento que fizeram pelo civil não pode ser abençoado e não puderam participar na comunhão eucarística nem mesmo quando os seus filhos fizeram a Primeira Comunhão.
O casamento é, por natureza, uma instituição complexa. Junta duas histórias de vida, genéticas e culturais, com o propósito de formarem uma família que tem de contar com o passado, mas também com a nova rede de relações de cada um, do casal e dos filhos, quando existem. Realizado entre católicos, na forma canónica actual, é celebrado como um sacramento, que acrescenta, às complexas dimensões de qualquer casamento, a inscrição na complexa história da Igreja.
Há anos, Bernard Häring, um famoso teólogo, perguntava: “Haverá saída?” E mostrou que sim. O Centro Dominicano de Bruxelas publicou um documento de trabalho muito importante sobre a mesma questão, vindo a fazer parte de um dossier da revista Lumière & Vie assinado por especialistas, mostrando que não pode ser um assunto encerrado nem sob o ponto de vista teológico nem pastoral (1). O P. Luís Correia Lima, S.J., com o título, Divorciados Recasados diante dos Sacramentos, apresentou com clareza as peças essenciais do debate (2).


3. Parece-me que a hierarquia da Igreja faz bem em não abrir mão do matrimónio indissolúvel, como horizonte. Ninguém de boa fé se casa para se divorciar. O divórcio até pode ser o único caminho para acabar uma união absurda, mas pode também ser fruto de uma irresponsabilidade de ambos ou de um só. O futuro de um casamento depende, em parte, de uma conquista diária.


Quando se invoca a resposta de Jesus, não separe o homem o que Deus uniu, esquece-se a pergunta manhosa de alguns fariseus: É lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo que seja? (Mt 19, 1-9). Homem, aqui, significa marido. O que Jesus não pode aceitar, de forma nenhuma, contrariando o próprio Moisés, é o seguinte: a mulher não pode estar sujeita aos caprichos do marido. Isto é tão verdade que os próprios discípulos disseram a Jesus: Se é assim a condição do homem em relação à mulher, não vale a pena casar-se. O que estava em causa na resposta de Jesus, naquele preciso contexto social e religioso, era a defesa da mulher perante a arbitrariedade dos maridos.
Tenho de voltar a este tema na próxima crónica.
 

Frei Bento Domingues o.p.


(1)                LV, 206 (Março 1992)
(2)                Cf. Revista Eclesiástica Brasileira, 239 (2000) 641-649

publicado por Re-ligare às 22:07
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