Blog dos docentes, investigadores e alunos de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona (Lisboa)
.posts recentes

. RAMADAN - PRIMEIRA PARTE

. FALTAM APENAS DUAS SEMANA...

. JEJUM, UM ALIMENTO PARA A...

. “LA ILAHA – ILLA LLAH” – ...

. MI'RAJ — A Ascensão do Pr...

. RELEMBRANDO: A NOITE DE M...

. OS INÚMEROS BENEFÍCIOS PE...

. OS INÚMEROS BENEFÍCIOS PE...

. OS PRIVILÉGIOS E AS RESPO...

. SURAT FUSSILAT

.arquivos

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

Terça-feira, 7 de Abril de 2009
Exemplos de Vida

É muitíssimo interessante conhecer o que as biografias de Jesus descrevem acerca da forma como ele lidava com os seus discípulos e com situações não resolvidas que os afectavam interiormente, ou com as suas dúvidas. Duvidar é uma constante que sempre se fez presente na alma humana. É uma realidade intemporal.
Interessante é ver como um Homem acerca do qual tanto se escreveu, que tantos inspirou e continua a fazer (que nunca quis fundar nenhuma religião, nem sequer escreveu nada sobre si mesmo apesar de ousadamente dizer aos homens e mulheres para O seguirem) lidou com aqueles que por momentos o abandonaram, traíram, magoaram. Acerca destes homens também se escreveu e das suas atitudes, bem como da forma admirável como Jesus lidou com a situação.
É realmente um privilégio podermos ler as suas biografias. De facto, poder ler é uma virtude que felizmente hoje muitos têm acesso (somos nós bons mordomos desta oportunidade?) Estou ligada à alfabetização de adultos que infelizmente não tiveram oportunidade de aprender a ler e escrever há muitos anos, e conheço a sua realidade de perto, a vontade em poder conhecer melhor o mundo que os rodeia depois de decifrar a escrita e a leitura. Às vezes procuramos tão longe o que está tão perto de nós. Queremos alcançar o que não é revelado e desprezamos o que é tão óbvio. Estas pessoas partilham o sonho de participar na construção da sociedade com o que têm, com o que sabem, mas de forma mais eficaz.
E sabem como tirar lições que o passado oferece, são humildes para acreditar que aprendem até morrer...
Fechando este grande parêntesis sem parêntesis, volto à abordagem deste recurso inesgotável e acessível que é a Bíblia - um livro prático com aplicabilidade para os dias de hoje e na nossa própria vida – seria essa a intenção do Autor?
Talvez…
Certo é que muitos o afirmam por experiência própria e juntam as suas vozes a outras experiências passadas que felizmente ficaram escritas.
Os exemplos que lá estão ensinam quem quer aprender.  
Falo das Escrituras Sagradas - conhecê-las não é redutor ou “castrador”. Mais do que reclamar direitos ou ser apenas um espectador da vida e do mundo que nos rodeia, há que saber o que fazer, ou melhor, saber ser para poder depois pelas nossas próprias mãos fazer a nossa parte – contribuir para tornar o mundo melhor.
Ler as Escrituras com uma atitude interessada é uma das melhores formas de “passar tempo com Deus”.
Voltando ao que as biografias deste Homem contam (apenas mais um personagem histórico para uns, para outros mais do que isso) acerca de situações não resolvidas e traição dos seus amigos e da forma como Ele lidou com a situação; o passado pode ensinar quem quer aprender.
As Escrituras Sagradas não descrevem só boas experiências, mas também más. A vida é feita de ambas.
Jesus foi traído, por Judas.
Foi negado por Pedro.
Tomé duvidou da Sua ressurreição, mesmo depois de os seus amigos terem contado que O tinham visto.
E o que Jesus fez? Ele não lhes virou as costas.
Em relação a Judas abordou o assunto à mesa quando estavam todos juntos, antes deste O entregar aos soldados, como que um aviso para que ele pudesse escolher – não fazê-lo.
Em relação a Pedro, também lhe disse antecipadamente que ele iria negá-lo perante os que o questionaram, como que a avisá-lo…
Em relação a Tomé, apesar de saber da sua incredulidade perante o relato dos seus amigos - apareceu perante os seus olhos para que Tomé pudesse tirar as suas dúvidas.
Estes três homens pertenciam ao grupo dos doze discípulos que sabemos terem um relacionamento muito próximo consigo.Em nenhuma destas situações Jesus virou as costas por causa da incredulidade dos seus amigos, dos seus discípulos.
Jesus lidou com a situação e levou-os a lidar com a situação.
Sócrates disse: Uma vida não examinada não é uma vida digna de ser vivida.
Não há que temer resolver o que não ficou resolvido.
Pedro negou três vezes conhecer Jesus com medo de ser preso e após a sua ressurreição, Jesus aparece e pergunta três vezes a Pedro se este O amava. Fê-lo para que Pedro pudesse encarar e perder o sentimento de culpa que ainda tinha dentro de si.
E como Jesus o fez? Disse-lhe também três vezes – “apascenta os meus cordeiros”.
Jesus deu a Judas oportunidade de não decidir mal, quando à mesa durante a ceia abordou o assunto e quando depois Judas chegou com os soldados para o prender, Jesus ainda o chamou de amigo - “Amigo, porque vieste?”
Jesus apareceu a Tomé, apesar das suas dúvidas. Talvez Tomé quisesse acreditar. Ele disse - “Se não vir… de modo nenhum crerei”
Será que se pode aprender com estes exemplos e aplicá-los nos nossos relacionamentos, na forma como lidamos com as nossas dúvidas, incredulidade? Saber o que Jesus fazia perante isso, como Ele lidou com os seus amigos mais chegados enquanto Homem na Galileia, na Judeia, há mais de dois mil anos atrás… pode ajudar a fazer uma reflexão teológica – que se quer prática na nossa própria vida em primeiro lugar.
Esta riquíssima personagem histórica, tão diferente do contexto em que viveu e que ainda hoje se destaca, mostra tão claramente através da sua vida que há uma mensagem para os dias actuais: É possível vencer as piores aspirações humanas. Elas podem transformar-se em canais de vida, “vida com abundância” para uma sociedade que está doente e a clamar por esperança.
 
Florbela Nunes
Aluna do 3º ano da Licenciatura de Ciência das Religiões
 
publicado por Re-ligare às 00:50
link do post | comentar | favorito
|
..
.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Julho 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.links
.Fazer olhinhos
blogs SAPO
.subscrever feeds