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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
Deus - um ser presente

 

“…foi assim que a cicuta matou aquele afável homem das ideias. Porém, não maculou a fidelidade à sua consciência, nem matou o desejo de continuar a existência. Sócrates tanto almejava a transcendência da morte como cria nela. O mundo das ideias ajudou-o a amar a vida. Dificilmente alguém produziu palavras tão serenas como as deste filósofo no final da sua vida. Até Platão se sentiu envergonhado pelas suas lágrimas.
Entretanto, Cristo, no final da sua vida, foi muito mais longe.
Ele, como estudaremos, produziu as reacções mais sublimes diante das condições mais miseráveis por que um ser humano possa passar. Bradou:
“Eu sou o pão vivo: se alguém comer deste pão, viverá eternamente!”[1]
Não há semelhante ousadia na história. Ninguém tinha afirmado, até então, que tinha o poder de fazer do frágil e mortal ser humano um ser imortal. Ninguém afirmou que a sua morte abriria as janelas da eternidade. Sócrates tinha a esperança de viajar para um outro mundo. Cristo, entretanto, colocou-se como o piloto e como o próprio veículo dessa intrigante viagem para esse tal mundo.
Jesus era um homem inacreditável. Não queria fundar uma corrente de pensamento ou mais uma religião. Não! Ele almejava libertar o homem do parêntese do tempo e imergi-lo nas avenidas da eternidade. Ninguém, mesmo no ápice do delírio, tem a coragem e mesmo a capacidade intelectual para proferir palavras semelhantes, como as desta longa e complexa oração.
O que é mais interessante é que, ao mesmo tempo em que olhou para o céu e discursou sobre uma vida infindável, voltou-se, na mesma oração, como um relâmpago para a “terra” e mostrou uma preocupação extremamente afectiva com a vida e a história dos seus discípulos. Proclamou ao seu Pai: “Enquanto eu estava com eles, guardava-os em ti…”; “Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão - de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só”.[2]
Jesus, apesar de estar próximo da mais angustiante série de sofrimentos, ainda tinha ânimo para cuidar dos seus íntimos e discursar sobre o amor no seu mais belo sentido. Queria que um clima de cuidado mútuo e solidariedade envolvesse a relação entre os seus amados discípulos. Nunca lhes prometeu uma vida utópica, uma vida sem problemas e sem contrariedades. Pelo contrário, almejava que os percalços da existência pudessem lapidá-los. Afinal de contas, sabia que o oásis é mais belo quando construído no deserto e não nas florestas. As suas palavras denunciavam que, para ele, Deus embora invisível, era um ser presente, um ser que não estava acima das emoções humanas, mas que também sofria e se preocupava com cada ser humano em particular.
            Ao estudarmos a história das religiões, detectamos que frequentemente o homem fala de Deus de uma maneira intocável, acima da condição humana, mais preocupado em punir erros de conduta de que em manter uma relação estreita e afectiva com o ser humano. Mas no conceito de Cristo, o seu Pai é um Deus acessível, afectivo, atencioso e preocupado com as dificuldades que atravessamos e que, embora nem sempre retire as dificuldades da vida, propicia condições para superá-las. Filho e Pai estavam participando juntos, passo a passo, de um plano para transformar o ser humano.”
Augusto Cury (psiquiatra, psicoterapeuta, cientista teórico e pensador da filosofia) em: “Análise da inteligência de Cristo – O Mestre da Sensibilidade”
 
Florbela Nunes
(aluna do 3º ano da Licenciatura de Ciência das Religiões)


[1] João 6:51
[2] João 17:12;20-21
publicado por Re-ligare às 16:32
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
Evolução e fé religiosa não são incompatíveis

 

1. Diante da promessa do meu texto no Domingo passado, alguém teve a amabilidade de me aconselhar a não voltar ao tema: isso só poderia servir a propaganda anti-teísta que pretende divulgar a ideia de que as religiões são a origem de todos os males e, suprimida a ideia de Deus, as religiões caem irremediavelmente por terra e começa uma era limpa de enganos milenários.
Quando, em 1975, me convidaram a visitar o museu do ateísmo em Leninegrado, declinei o convite. A simples ideia de um tal museu deu-me imensa vontade de rir e preferi mais tempo para as maravilhas do Hermitage.
Não ignoro que o ateísmo tem, na história do Ocidente, diversas expressões literárias e filosóficas. Hoje, não falta quem julgue que a própria ideia de Deus é uma pseudo-ideia. Há expedientes simplistas para evitar a palavra entre religiosos e ateus: que importa aos crentes que os outros não acreditem e vice-versa? Cada um que guarde, para si, as suas convicções, seguindo a velha consigna: aqui, de política e de religião, não se fala. A situação real talvez não se resolva com esse expediente. Se antes, em algumas sociedades, se dizia que uma pessoa sem Deus era alguém sem moral e uma ameaça para a sociedade, agora, são os anti-teístas que vêem nos crentes um perigo para a ciência, para o progresso, para a felicidade, uma raça a extinguir. Para uma situação destas, é preciso algo mais do que um apelo à tolerância e ao respeito pelos direitos humanos. Em muitas situações são precisamente estes que não são reconhecidos. Por outro lado, seria ridículo supor que o mundo está a caminho de uma comunidade guiada só por critérios científicos que avaliam o que está certo ou errado. Face à complexidade da condição humana e à morte, a inteligência encontra-se diante de questões e fenómenos misteriosos– não apenas de enigmas – que a razão não pode controlar. A crença talvez não esteja tão em crise como se diz. Para dar um sentido último à aventura humana, o corpo essencial de doutrina das grandes religiões parece ter longos dias pela frente.
2. A tomada de posse de Barack Obama foi, como estava previsto, político-religiosa: juramento da Constituição e mão na Bíblia. Ninguém pensa que isso tenha, por si mesmo, um resultado político e religioso automático. Pedir a Deus ajuda e bênção para os EUA não garante, só por si, que o presidente respeitará o desígnio da constituição e, quanto à Bíblia, há, nessa biblioteca, de tudo para todos os gostos. Com o mesmo juramento, Bush foi uma desgraça mundial e aguardo que o novo presidente não ajude nem permita desgraças como foi a invasão do Iraque e a matança de Gaza. Tornou-se, no entanto, evidente que a autenticidade humana, política e religiosa, manifestada no seu itinerário até à tomada de posse, suscitou uma fé e uma esperança colectivas, um desígnio comum, uma vontade de vencer a crise, como um serviço a toda a América e ao mundo. Um sentimento religioso, transcendente e humano percorreu esse dia.
3. Voltando ao ponto em que deixei o texto do Domingo passado, não me parece que a ciência de R. Dawkins vá substituir a religião. Como dizia o poeta Eliot, “não há nada neste mundo ou no outro que possa ser substituto de outra coisa”. Já referi a obra de resposta de Alister McGrath a Dawkins que termina com um convite: “temos muito a ganhar com um debate comum, cordato e rigoroso. A questão acerca da existência de Deus – e como será Deus se existir – mantém ainda toda a sua importância intelectual e pessoal nesta época pós-Darwin. Encontramos mentes fechadas de ambos os lados da barricada. Os cientistas e os teólogos têm muito a aprender uns com os outros”. Foi, aliás, nesse processo, que este biólogo passou de ateu a cristão, sentiu a necessidade de se doutorar em teologia e, sem deixar a prática científica, tornou-se padre da Igreja anglicana.
Para superar este abismo entre as mentes fechadas, fundamentalistas, de ambos os lados, um outro biólogo, presidente da American Association for the Advencement of Science, Francisco J. Ayala (1), escreveu uma obra, mostrando que não há contradição necessária entre a ciência e as crenças religiosas. “A ciência procura descobrir e explicar os processos da natureza: o movimento dos planetas, a composição da matéria e do espaço, a origem e a função dos organismos. A religião trata do significado e propósito do universo e da vida, as relações apropriadas entre os humanos e o seu criador, os valores morais que inspiram e guiam a vida humana. A ciência não tem nada a dizer sobre essas matérias, nem é assunto da religião oferecer explicações científicas para os fenómenos naturais. (…) O Deus da revelação e da fé cristã é um Deus de amor, misericórdia e sabedoria”. Como se dizia na antiga Missa, o Deus que alegra a minha juventude.
Ayala, no balanço final do seu percurso, verifica que “a evolução e a fé religiosa não são incompatíveis. Os crentes podem ver a presença de Deus no poder criativo do processo de selecção natural de Darwin”. Era esta, aliás, a convicção do próprio Darwin.
 
(1)                       Francisco J. Ayala, Darwin y el Diseño Inteligente, Madrid, Alianza, 2008
 

 

Frei Bento Domingues, o.p.

(primeiro director da Lic. em Ciência das Religiões)

publicado por Re-ligare às 09:30
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Sábado, 24 de Janeiro de 2009
ÉTICA E RELIGIÃO NA ECONOMIA

 

 
Perante o estrondo da crise financeira, que está a chegar, avassaladora, à economia real, há da parte de muitos um enorme apelo à ética e aos valores na finança, na empresa e na economia em geral.
Há vantagens nisso, como diz Josef Wieland, professor de Ética: os valores éticos trazem enormes bens à empresa, como, por exemplo, a segurança jurídica; "a reputação da empresa aumenta e ela acaba por receber os melhores e mais motivados colaboradores". É preciso ter em conta que a corrupção vai recuar e "as regras éticas defendem em todo o mundo os empresários da prisão".
Não é por acaso que são esperados quatro mil participantes no sexto congresso cristão de empresários e gestores, que se realiza em Düsseldorf, Alemanha, de 26 a 28 de Fevereiro próximo, sob o lema Avançar para a Chefia com Valores. Isto não significa de modo nenhum que a ética empresarial seja um exclusivo dos crentes, mas a fé tem de ter influência no mundo dos negócios.
Na Alemanha, 66% dos empresários dizem acreditar pessoalmente em Deus e, segundo impulse, revista para empresários, no seu número de Janeiro, a união de empresários católicos atingiu o número histórico de mais de 1200 membros e, no caso dos empresários protestantes, o número multiplicou-se em poucos anos por dez, sendo agora 600.
Segundo uma sondagem da Forsa, as normas éticas e morais desempenham um grande papel para 50% dos empresários alemães, sendo interessante verificar que essa normas são mais importantes para os empresários protestantes (58%) do que para os católicos (47%). Segundo a mesma sondagem, da fé derivam deveres: responsabilidade pelos trabalhadores (71%), sinceridade, justiça, lealdade (31%), decisões socialmente compatíveis (18%) e há limites morais para o rendimento pessoal: católicos (62%), protestantes (42%), sem confissão religiosa (56%), empresários em geral (52%).
Haverá contradição entre a fé em Deus e a maximização do lucro? Os crentes em geral respondem: sim (28%), não (68%). Os passos da Bíblia mais citados pelos empresários crentes são: "ama o teu próximo como a ti mesmo", "o Senhor é o meu pastor" e os dez mandamentos.
Segundo o bispo Wolfgang Huber, presidente do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha, a maximização do lucro e o amor do próximo podem ser compatíveis: "a Igreja não é estranha à realidade". A responsabilidade económica precisa de ter os pés assentes na terra e a proximidade ao Homem. A presente crise financeira não pôs em causa a economia social de mercado. De qualquer forma, o sistema desequilibrou-se e é preciso corrigi-lo. Quanto à justiça, há um critério importante: "As diferenças na sociedade devem estabelecer-se de tal modo que também as pessoas que se encontram no fundo da escala possam estar convencidas de que o sistema em geral é justo e lhes é favorável também a elas."
Dos debates tensos de Gerd Kühlhorn com os empresários para impulse, resultaram dez mandamentos para os empresários cristãos, que "talvez sejam um pouco simples, mas certamente mais claros do que todos os fanfarronantes Codes of Conduct". Aqui ficam:
1. Trata dos negócios de tal modo que a tua empresa tenha um bom lucro. 2. Sê justo com os teus parceiros de negócio. 3. Mostra estima pelos teus colaboradores. 4. Faz negócios prospectivamente e assegura o futuro da tua empresa. 5. Procura parceiros que como tu acreditem em Deus. 6. Cultiva a humildade. 7. Coloca os teus talentos e recursos ao serviço dos outros. 8. Não te percas no trabalho. 9. Reconhece que a tua empresa não te pertence a ti, mas a Deus. 10. Respeita todos os que não partilham a tua fé.
No fundo, como diz o bispo W. Huber, encontramo-nos num "ponto de viragem". A confiança é "um capital tão importante para a economia como o dinheiro". Por isso, é preciso que os empresários estabeleçam "um equilíbrio entre a eficiência económica e as consequências sociais do negócio empresarial".
 Afinal, a economia não é fim em si mesma, pois é o Homem que tem de ocupar o centro. Daí, como lembrou Martin Buber, o sucesso não ser "um dos nomes de Deus". A solidariedade, sim.
            

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

 

 

publicado por Re-ligare às 14:40
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
A MAIOR RIQUEZA: SEMELHANTES

 
 

Há algo essencial que aqueles que quereriam imortalizar-se, mediante a clonagem, esquecem: mesmo os clones, quando dissessem "eu", di-lo-iam de modo único e intransferível. Não é isso, aliás, o que acontece com os gémeos verdadeiros? De facto, cada um de nós é sempre o resultado de uma herança genética e de uma história única, história com cultura.
Nenhum de nós é sem o outro, sem outros. Sem tu, não há eu. Fazemo-nos uns aos outros em interacção. Só com outros seres humanos nos tornamos humanos. A nossa identidade é constitutivamente atravessada e mediada pela alteridade, concretizada em outros.
 
Ora, não havendo outros sem a interpenetração de biologia e cultura, é inevitável o diálogo intercultural. O encontro com o outro acontece sempre no quadro da cultura, porque não há outro "puro", sem cultura. Assim, na presente situação do mundo, em contexto de multiculturalismo, não basta a mera junção de culturas, vivendo umas ao lado das outras e respeitando-se mutuamente. É preciso passar do multiculturalismo da justaposição ao pluralismo cultural interactivo, deixando-se desafiar por uma identidade interrogativamente aberta.
 
Neste quadro, há hoje a tendência para valorizar sobretudo a diferença: é a diferença que nos enriquece, diz-se. Quem pode pôr essa afirmação em dúvida, quando se percebeu que a identidade é atravessada pela alteridade? No entanto, se podemos entender-nos, é porque somos fundamentalmente iguais.
 
Como recordava recentemente, em Santa Maria da Feira, num debate sobre o diálogo intercultural, o filósofo Fernando Savater, a semelhança entre os seres humanos é que cria a riqueza e funda a humanidade. Reconhecemo-nos, porque somos semelhantes. Só porque o fundamental é a nossa semelhança é que há igualdade de direitos e só porque não há diferença de direitos fundamentais é que há o direito à diferença. Afinal, "não há ninguém tão convencido da diferença como um racista".
 
Claro que, no encontro com o outro, nunca se pode esquecer que o outro é um outro eu e ao mesmo tempo um eu outro, de tal modo que nunca nenhum de nós saberá o que é e como é ser outro enquanto outro, eu outro. Mas o que mais nos interessa é a semelhança, pois, nas diferenças, somos todos humanos, reconhecendo-nos.
 
Se me perguntam pelo fundamento último da dignidade humana, digo que é a nossa comum capacidade de perguntar. O que nos reúne é uma pergunta inconstruível, sem limites, que tem na raiz o infinito e nele desemboca, sendo as culturas tentativas de formulá-la e perspectivar respostas.
 
Aqui, assenta a convivência fraterna e digna da Humanidade, reconhecendo todos como humanos. Mas, como também lembrou Savater, inimigos maiores desta convivência são a pobreza e a ignorância. Rejeitamos os pobres, porque metem medo: nada nos dão e obrigam-nos a dar. A ignorância é outra fonte de susto: quando se não reconhece a semelhança, teme-se o diferente.
 
Aí está, pois, a urgência da solidariedade, assente no reconhecimento da semelhança.
 
Nesta solidariedade, justiça e caridade têm de abraçar-se. Sobre este abraço, Bertolt Brecht, o famoso escritor marxista, que lia a Bíblia, escreveu estes versos inultrapassáveis: "Contaram-me que em Nova Iorque,/na esquina da rua vinte e seis com a Broadway,/nos meses de Inverno, há um homem todas as noites/que, suplicando aos transeuntes,/procura um refúgio para os desamparados que ali se reúnem.//Não é assim que se muda o mundo,/as relações entre os seres humanos não se tornam melhores./Não é este o modo de encurtar a era da exploração./No entanto, alguns seres humanos têm cama por uma noite./Durante toda uma noite estão resguardados do vento/e a neve que lhes estava destinada cai na rua.//Não abandones o livro que to diz, Homem./Alguns seres humanos têm cama por uma noite, / durante toda uma noite estão resguardados do vento / e a neve que lhes estava destinada cai na rua. / Mas não é assim que se muda o mundo, / as relações entre os seres humanos não se tornam melhores. /Não é este o modo de encurtar a era da exploração."
               

Anselmo Borges

Padre e professor de Filosofia
(membro da Comissão Científica da Revista Lusófona de Ciêrncia das Religiões)
publicado por Re-ligare às 12:12
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
Livre por fora e preso por dentro

 

“Sócrates foi um dos filósofos mais inteligentes que pisou a terra. Foi um amante da arte da dúvida. Questionava o mundo que o circundava. Perguntava mais do que respondia e por isso, não poucas vezes deixava a mente dos Homens mais confusa do que antes. A ele atribui-se a frase “conhece-te a ti mesmo”. Sócrates não escreveu nada sobre si, mas os filósofos ilustres que cresceram a seus pés, dos quais se destaca Platão, escreveram sobre ele.
Devido ao incómodo que as suas ideias causaram na sociedade grega, Sócrates foi condenado à morte. Alguns acreditam que ele teria sido poupado se tivesse restaurado a antiga crença politeísta; se tivesse guiado o bando dos seus discípulos para os templos sagrados e sacrificado aos deuses de seus pais. Mas Sócrates considerava isso uma orientação perdida e suicida[1]. Acreditava num só Deus e tinha esperanças de que a morte não iria destruí-lo por completo. Por se contrapor ao pensamento reinante na sua época, esse dócil filósofo foi condenado a tomar cicuta, um veneno mortal.
Se negasse as suas ideias, seria um homem livre. Mas não queria ser livre por fora e preso por dentro. Optou por ser fiel às suas ideias e morrer com dignidade”.
 
Augusto Cury (Psiquiatra, Psicólogo e Cientista Teórico) em “O Mestre da Sensibilidade”
 
Florbela Nunes (Aluna do 3º Ano da Licenciatura de Ciência das Religiões)


[1] (DURANT, WILL, História da Filosofia, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995)
 
publicado por Re-ligare às 17:52
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Casamentos e autocarros

                                                                  

1.Os que, no século XIX, anunciaram a “morte de Deus” e o fim da religião foram muito precipitados. A interrogação metafísica não se esgota em nenhuma construção filosófica nem a preocupação religiosa se confunde com as suas expressões organizadas ao longo dos tempos. Se a religião estivesse morta, a cascata de reacções às palavras de Casino (13/01/09), do Patriarca da diocese de Lisboa, não teria inundado os meios de comunicação. Voluntária ou involuntariamente, D. José Policarpo realizou uma operação de marketing religioso, sejam quais forem os resultados para a Igreja Católica e para a Comunidade Muçulmana, a curto e a médio prazo. Até os possíveis danos colaterais, no campo do diálogo inter-religioso, convergem para aquele princípio pouco respeitável: “bem ou mal, o que importa é que falem de nós”. No fundo, os muçulmanos conseguiram uma atenção que ultrapassa a sua presença em Portugal. Poderão dizer, à portuguesa, “há males que vêm por bem”. Espero, aliás, que este incidente ajude a intensificar e alargar o diálogo da Igreja Católica, em Portugal, com a população muçulmana. O facto de o catolicismo ser maioritário, no nosso país, não pode servir para não ter em conta as outras religiões. O diálogo inter-religioso é essencial para se deixar interrogar pelo outro, independentemente do número dos interlocutores. Não só porque, onde uns, num país, são maioritários podem ser minoritários noutro. Vale a regra de ouro: fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam. Além disso, a prática da hospitalidade gratuita entre as diversas religiões, faz bem a todas. Perde-se a ignorância, o orgulho e, com humildade, podem acolher-se e questionar-se mutuamente.
Que o Patriarca tenha desassossegado a comunidade muçulmana, a propósito do casamento de jovens católicas com muçulmanos, por causa dos “sarilhos” em que se podem meter, é um aviso de pastor responsável. Não deveria, no entanto, esquecer o que se passa em sua casa. Seria bom que desassossegasse os seus colegas no episcopado, a começar pelo Bispo de Roma, acerca dos sarilhos em que envolveram as exigências da celebração do casamento católico – algumas delas dispensáveis – que leva muitos a ficar, apenas, pelo casamento civil. A relação com o divórcio, com um segundo casamento, com o impedimento do acesso à comunhão eucarística dos recasados, acaba por aumentar o número dos católicos não praticantes. Como os sacramentos são para ajudar e não para complicar, até o próprio Deus deve exclamar: ai o que estão a fazer da graça do matrimónio!
2. Essa questão veio interromper uma outra que já andava na imprensa e, sobretudo, na Internet: as reacções à propaganda ateísta nos autocarros. A moda começou emInglaterra, passou aos EUA, a Espanha e parece que vai chegar a Portugal. O slogan inscrito nos autocarros, inspirado no cientista ateu Richard Dawkins, é o seguinte: “Deus provavelmente não existe. Deixe de se preocupar e goze a vida”.
A campanha publicitária, agora em andamento por vários países, começou por ser planeada e parcialmente financiada pela Associação Humanista Britânica (BHA) e visava colocar cartazes em 30 autocarros de Londres.
O novo ateísmo militante tem vários protagonistas de nomeada. Um dos mais célebres é Dawkins, autor de várias obras importantes. Através delas, procurou distribuir as seguintes convicções, sintetizadas por Alister McGrath (1): uma visão darwiniana do mundo torna a crença em Deus desnecessária ou mesmo impossível. A religião estabelece proposições que se alicerçam na fé, o que representa um retrocesso face à busca rigorosa e factual da verdade. Para este autor, a verdade está sempre alicerçada em provas evidentes e todas as formas de misticismo ou obscurantismo, baseadas na fé, devem ser rigorosamente combatidas. A religião oferece uma visão do mundo pobre e pouco clara. “O universo apresentado pela religião organizada é um universo medieval acanhado, extremamente limitado”. Inversamente, a ciência oferece uma visão arrojada e luminosa de um universo grande, belo e assombroso. A religião conduz ao mal. É como um vírus maligno que infecta as mentes humanas. Esta não é uma apreciação estritamente científica, uma vez que a ciência não sabe determinar o que é o bem ou o mal: “a ciência não possui nenhum método para decidir o que é ético”. Não obstante, esta é uma contestação profundamente moral da religião, bem enraizada na cultura e na história ocidental e que deve ser considerada com a maior seriedade.
No seu livro, Alister McGrath não procurou fazer uma crítica à biologia evolucionista de Dawkins. As opiniões deste devem ser avaliadas pela comunidade científica no seu todo. Ele enfrenta, apenas, as conclusões gerais deste cientista, em particular as referentes à religião e à história intelectual, domínio sobre o qual tem uma competência especial para se pronunciar, isto é, a problemática, extraordinariamente importante, da transição da biologia para a teologia. Ele é biólogo e teólogo. Voltaremos a este tema, pois, como diz Tomás de Aquino, não é evidente que Deus exista ou não exista.
 
(1)                       O Deus de Dawkins, Lisboa, Alêtheia, 2008, p.21

             

Frei Bento Domingos, o.p.

(primeiro director da Lic. em Ciência das Religiões)

 

publicado por Re-ligare às 11:37
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Jesus e a rigidez

 

“Toda a pessoa radical não consegue fazer uma leitura multifocal da memória e extrair informações que lhe permitam pensar noutras possibilidades além daquela na qual rigidamente pensa. Jesus foi vítima do preconceituosismo dos líderes de Israel. Eles estavam presos nas suas mentes. Não conseguiam ver nele nada mais do que um agitador, um revolucionário ou então um nazareno digno de desprezo.
            A rigidez é o cancro da alma. Ela não apenas fere os outros, mas pode transformar-se na mais drástica ferramenta autodestrutiva do Homem. Até pessoas interiormente belas podem-se autoferir muito, se forem rígidas e estreitas na maneira de pensar os seus transtornos psíquicos. Em psicoterapia, uma das metas mais difíceis de ser alcançada é romper a rigidez intelectual dos pacientes, principalmente se estes já passaram por tratamentos frustrantes, e levá-los a abrir as janelas das suas mentes e a renovar as suas esperanças.
            As pessoas que acham que o seu problema não tem solução criam uma barreira intransponível entro de si mesmas. Assim, até doenças tratáveis, como a depressão, o transtorno obsessivo e a síndroma do pânico, tornam-se resistentes.
Não importa o tamanho do nosso problema, mas a maneira como o vemos e enfrentamos. Precisamos de libertar as nossas inteligências e encarar as pessoas, os conflitos sociais e as dificuldades da vida sem medo, de maneira aberta e multifocal.
            A esperança e a capacidade de se colocar como aprendiz diante da vida são os adubos fundamentais do sucesso.
O Mestre de Nazaré queria produzir um Homem livre, sempre disposto a aprender e cheio de esperança. Pretendia desobstruir a mente daqueles que o circundavam, tanto dos seus seguidores como dos seus opositores. Estava sempre a querer hastear a bandeira da liberdade das pessoas, por isso aproveitava todas as oportunidades do pensamento, o que fazia dele um Mestre inigualável.
Nós provocamos as pessoas rígidas e tornamo-las mais agressivas ainda. Ele, pelo contrário, com brandura, instigava a inteligência deles e acalmava as águas da emoção.”
 
Augusto Cury (Psiquiatra, Psicoterapeuta e Cientista teórico) em “O Mestre da Sensibilidade”
 
Florbela Nunes (aluna do 3º ano de Ciência das Religiões)
publicado por Re-ligare às 11:24
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
A GRANDE CRISE DE FÉ


1.Simplificando muito, o capitalismo, na sua expressão pura e dura, era a única salvação, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim. Agora, já não são, apenas, os anti-capitalistas do costume a verem nele o caminho da perdição. Quem esperava ter o paraíso garantido para sempre, sentiu-se atirado para as trevas exteriores, onde só há choro e ranger de dentes, a morte de toda a esperança.

Para quem acredita que fora do capitalismo não há salvação, a tarefa mais importante consiste em restituir a fé e a esperança nesse sistema para salvar a economia de mercado. A fórmula pronta a servir, diante do fracasso da sua auto-regulação, é a ética aplicada. Como a ética não é um produto natural – para não deixar tudo à arbitrariedade subjectiva – são precisas leis que regulem a vida numa sociedade democrática. Como as leis precisam de
ser aplicadas, é necessária a supervisão para saber se estão a ser bem aplicadas ou não. Como numa sociedade laica não se confia a Deus a supervisão, é preciso fé nos seres humanos e no funcionamento das suas instituições. Como estes e estas são falíveis, é preciso o recurso à polícia, aos tribunais e às cadeias. Como a justiça não tem fórmulas
automáticas de funcionamento, também é preciso fé na justiça, fé no Estado. Diz-se que, quando nada disto funcionar, ainda resta o desespero e a violência.
 
2. Depois de oito anos a acreditar nas trapaças de George Bush e da sua pandilha, assim como nos negócios vergonhosos da Wall Street, procura-se fazer de Barack Obama o salvador da superpotência para que ela seja a salvação do mundo. É normal que cada grupo procure atrair o presidente para o seu campo. Foram, sem dúvida, os menos poderosos que o elegeram. Serão, no entanto, os mais poderosos que, em nome das virtualidades da economia de mercado e do seu dinamismo, desviarão a atenção de Obama dos mais pobres das Américas, da África e da Palestina. Israel já fez o suficiente para mostrar que, mesmo com o fariseu Madoff na cadeia, os EUA devem continuar com fé em
Israel, mesmo depois de todos os crimes contra a humanidade.

Não duvido que todas as tentativas serão destinadas a arranjar oxigénio para o capitalismo, mesmo através das indesejadas intervenções do Estado. É opinião corrente que o próximo ano vai ser mau para os que mais precisam e que ainda não será o último. Depois, julga-se, pela lei dos ciclos económicos, que a prosperidade regressará.

3. É normal que, agora, se volte a discutir a ética protestante e o espírito do capitalismo, caracterizados por Max Weber, ou seja, o conjunto de ideias e de práticas que favorecem, de forma ética, a procura racional do lucro económico. Outros regressarão à Idade Média, a S. Francisco de Assis, que abandonou os negócios do pai para “seguir nu o Cristo nu”, mas que originou os paradoxos franciscanos que vão da pobreza voluntária ao contributo para a sociedade de mercado (1). No campo católico, a Doutrina Social da Igreja será invocada, não como uma alternativa ao capitalismo liberal e ao colectivismo marxista, mas como uma instância moral que saiba situar o ser humano na sua vocação terrena e transcendente, reconhecendo o destino universal dos bens (2).

Neste tempo de Natal e no meio de todas estas crises de fé em tudo aquilo que se julgava o caminho e os instrumentos do bem-estar presente e futuro, não se esqueça Jesus de Nazaré, alguém que nunca viveu para ser rico. Ganhava a vida pelas suas próprias mãos, não era um austero como João Baptista, gostava da vida, mas detestava, radicalmente, a ganância, o amor ao dinheiro, à riqueza e não suportava ver uns a banquetear-se no luxo e
outros atirados para a miséria: “Guardai-vos cuidadosamente de qualquer ganância, pois, mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada pelos seus bens”. “Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder-se a si próprio?” E avisava as pessoas de muita religião: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, porque “onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. A última leva de historiadores mostra que Jesus está rodeado pelo mundo farisaico. Conhecia-o muito bem e os fariseus também o conheciam, mas consideravam Jesus um ingénuo na sua atitude perante a ganância. É, pelo menos, o que S. Lucas observa: “Os fariseus, amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam dele” (3).

Celebramos, hoje, a Epifania – impropriamente dita, festa dos “Reis Magos” –, isto é, o encontro simbólico do mundo estranho ao judaísmo com Jesus Cristo. É interessante notar que Jesus não se ajoelha perante os símbolos da riqueza (ouro), do sagrado (incenso) e da imortalidade (mirra) que lhe apresentam. É a grande mensagem cristã: não vender a alma a nenhum bem deste mundo profano ou religioso.

O melhor que nos poderia acontecer em 2009 seria a perda da fé naquilo que nos perde e nunca nos poderá salvar.
             
             

Frei Bento Domingues, o.p.

(1º director da Lic. em Ciência das Religiões)

 

(1)   Giacomo Todeschini, Ricchezza francescana. Dalla povertà volontaria alla società di mercato, Bologna, Il Mulino, 2004.

(2)   João Paulo II, A solicitude Social da Igreja, nº 41 (1987).

(3)   (Mt 6, 24; Lc 16, 13; Lc 12, 33-34)
 

 

 

 

publicado por Re-ligare às 01:08
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Sábado, 3 de Janeiro de 2009
PROVIDÊNCIA E ECONOMICÍDIO


Antes, era a Providência divina. Deus, no seu saber, bondade e poder infinitos, governa o mundo, e a Humanidade está sob a sua protecção. Mesmo quando a dor, a desgraça e a morte se abatem sobre os seres humanos, deve-se confiar, pois Deus tudo dirige segundo o seu desígnio. Aliás, Leibniz escreveu a sua Teodiceia precisamente para, como diz a própria palavra, justificar Deus perante a razão, por causa do mal do mundo. A justificação
é: sendo Deus omnisciente, omnipotente e infinitamente bom, este é o melhor dos mundos possíveis.

Hegel de algum modo secularizou a teodiceia, substituindo-a pela historiodiceia: a História autojustifica-se, pois ela é a manifestação e realização do Espírito Absoluto no seu autodesenvolvimento dialéctico, a caminho da plena autoconsciência. A negatividade é momento do processo e a "astúcia da Razão" consiste em colocar mesmo o particular e negativo ao seu serviço. Se a historiodiceia toma o lugar da teodiceia, a Razão na sua
astúcia substitui a Providência.

Na economia, a teodiceia e a historiodiceia são substituídas pela mercadodiceia - o mercado justifica-se a si mesmo. Entregue livremente a si próprio, o mercado fará com que, apesar de cada um procurar o seu interesse, tudo convirja para o maior bem de todos. Nele, habita a Providência, agora com o nome de "mão invisível", como disse Adam Smith.

Mas Kant chamou a atenção para o "falhanço" da teodiceia: como pode a razão finita justificar Deus? A "astúcia da Razão" não é suficientemente forte para assumir as negatividades improdutivas. Quanto à "mão invisível", deixou mesmo de se ver. Quem tinha dúvidas esbarrou agora com a evidência. O antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos Alan Greenspan recuou na fé de 40 anos: "Cometi um erro ao confiar que o mercado livre pode regular-se a si próprio sem a supervisão da Administração."

A crise está aí, imensa, imprevisível. Começou com o sistema financeiro e está a chegar, à maneira de tsunami, à economia real, e teme-se um economicídio.

Agora que o mundo do negócio se afunda, é tempo de parar no ócio - quantos se lembram que a palavra escola vem do grego scholê, que significa ócio, não no sentido de preguiça, mas de liberdade para pensar? -, precisamente para pensar.

Quando se pensa, percebe-se que afinal não há alternativa à economia de mercado, mas ela tem de ser economia social e ecológica de mercado, acentuando os dois adjectivos: social e ecológica. Economia quer dizer etimologicamente lei da casa; ora, a casa tem de ser a casa de todos e para todos e a casa é o planeta Terra, que é obrigatório preservar.

Quando se pensa, vê-se claramente a urgência de apelar para a necessidade da regulação e da ética no universo da finança e da economia. Ética - mais uma vez, segundo o étimo grego - tem a ver com o comportamento que se deve ter para habitar a casa comum.

Quando se pensa, espera-se que a justiça funcione. De facto, houve incompetência, aventuras especulativas irresponsáveis e também se fala em corrupção e crimes vários. Sem justiça, como repor crédito e confiança no sistema? Problema maior: quantos acreditam e confiam real e verdadeiramente na justiça em Portugal?

Pensando bem, precisamos de distribuição mais justa da riqueza - não se lia há dias no DN que "os rendimentos dos presidentes executivos das 50 maiores empresas europeias equivalem a 441 salários mínimos da Zona Euro"? Não continua também entre nós a cavar-se cada vez mais fundo o abismo entre a ostentação obscena da riqueza e a iniquidade cruel da pobreza?

Quando se pensa a fundo, talvez se conclua que é tempo de pôr mais o acento na cultura do ser do que na cultura do ter. E não será urgente viver com mais moderação - de mederi, donde vem também meditação e medicina?

E torna-se absolutamente claro que está aí o tempo da solidariedade. Se não for por humanidade, ao menos por egoísmo esclarecido. De facto, a acumulação sucessiva de frustração, impotência, fome, degradação, injustiça, pode levar a confrontos sociais de consequências imprevisíveis.

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia 

(membro da Comissão Científica da Revista Lusófona de Ciência das Religiões)

         

artigo publicado este sábado no DN

publicado por Re-ligare às 22:08
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