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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Alçada Baptista e o catolicismo português

 

 
1.Quando se fala dos católicos – leigos ou padres – dos anos 40 a 74 do século passado, é quase só, e sempre, para saber o lugar que ocuparam na oposição ao Estado Novo, com o pressuposto de que a “Igreja” era um dos seus pilares. Alçada Baptista figura, necessariamente, nessa paisagem, não só devido às suas tomadas de posição individuais e de grupo, mas sobretudo por causa de um empreendimento de vanguarda e sem paralelo, nos anos 60, “A Aventura da Moraes” que se exprimiu através de uma livraria-editora e duas revistas: O Tempo e o Modo e Concilium (1).
Sobre as peripécias e repercussões desta aventura, já se escreveu muito e continuar-se-á, certamente, a escrever pela sua novidade e significação no campo cultural, religioso e político. O próprio António Alçada explicou, muitas vezes, a nascente desse sonho e as sucessivas dificuldades, incompreensões e desencantos na sua realização, sem nunca renegar a “iluminação” que o fez abandonar a banca prometedora de advogado e tornar-se um editor improvisado: “Naquela altura eu acreditava na Igreja como os crentes acreditam nas igrejas. A insatisfação religiosa que, algum tempo depois, iria desaguar no Concílio Vaticano II, era um meio que exprimia as minhas ansiedades e achava que elas eram partilhadas por uma maioria de crentes que estavam inteiramente desmunidos de elementos que os ajudassem aconsciencializar e a estruturar aquilo que, na linguagem que então me era cara, ‘contribuísse para a progressiva libertação do homem através do esclarecimento e da denúncia da sua alienação política, cultural e religiosa’”.
2. Alçada procurava, portanto, responder a uma grande lacuna do catolicismo português e agregar pessoas que a sentissem e a desejassem preencher. Não se reconhecia no mundo mental, espiritual e militante da Acção Católica e a criação de um partido, à imagem da ala mais autêntica da democracia cristã italiana, tornara-se inviável. Do Vaticano II ainda não se falava. Passados anos, quando se poderia pensar que tinha a solução na mão, deu-se conta que andava só a substituir umas coisas exteriores por outras que o impediam de ser ele mesmo. Nem tudo foi um desastre: “uma das maiores compensações da minha ‘irresponsabilidade’ de me ter posto a ver se salvava o mundo foi, muito possivelmente, a de ter criado um estatuto que me deixou com um pé no sistema sem que ele se tivesse apropriado completamente de mim”. Foi também essa profissão de editor e as andanças em que se viu metido que lhe permitiram um conhecimento do mundo e das pessoas que, como diz em A Pesca à Linha, de outro modo, lhe teriam passado ao lado. Acerca desses encontros, leituras e descobertas, confessa: “trago sempre comigo um pouco de razão e ironia que me trava os encantamentos sem me retirar completamente do clima onde estou”. No primeiro encontro com Lanza del Vasto, depara, em estado puro, com o prazer de viver, de olhar, de ver, de respirar, de ouvir, de estar com os outros, com a alegria. Era a coincidência entre pensamento e vida, mas para Alçada, o incorrigível anti-herói, na primeira reacção, pareceu-lhe que Lanza del Vasto, vestido de profeta, se levava demasiado a sério.
3. Para surpresa de quem o conhecia mal, Alçada aparece, em 1971, com a sua Peregrinação Interior. Vol. I: Reflexões sobre Deus. Serviu a Eduardo Lourenço, num texto magistral, para dilatar e aprofundar essa peregrinação, no interior da nossa literatura, da nossa religiosidade e do nosso catolicismo (2).
Vê, na Peregrinação Interior, o mais significativo e brilhante espelho de uma nova maneira de “ser católico”, não isenta de dilemática inquietude, embora muito lusitanamente alheia à cegueira divina de Abraão e aos paradoxos de Job, o que marca, se não os limites clássicos da nossa religiosidade, ao menos os da visão dela de António Alçada Baptista: um catolicismo reformado e reformista, confiado e inquieto.
Dessa Peregrinação surgiu um segundo volume (1982) e, aventuro-me a dizer, um terceiro com outro título, O Tecido do Outono (1999), elaborando, através de novos laços, uma peregrinação expressa numa singular teologia narrativa, onde imanência e transcendência se exigem mutuamente: “Diria que há coisas na natureza e na condição humana que me impõem a existência de um núcleo misterioso a que chamo Deus. […] Estamos no tempo da morte de Deus, da sua ausência infinita, e aguardamos a sua Ressurreição. É evidente que não posso estar interessado num deus que aterrorizou toda a minha vida passada, que me cortou cruelmente de uma perspectiva de desenvolvimento humano que tem que ser vivido na terra e de que procura separar-me: dos prazeres, dos valores que a terra me proporciona, quer na minha comunicação com os outros, quer no meu desenvolvimento pessoal como o amor humano e a alegria. Recuso uma concepção de Deus cujo caminho seja a tristeza e a angústia”.
Alçada, na sua peregrinação, perdeu-se de uma Igreja que sabe tudo e de um Deus autoritário. Encontrou em Cristo a humanidade de Deus, a fonte da possível humanização divina da Igreja.
 
(1)            Teresa Tamen (cord.), A Aventura da Moraes, CNC, 2006
(2)            Literatura e Interioridade, in O Canto do Signo, Lisboa, Presença, 1994, pp. 150-157.

 

           Frei Bento Domingues o.p.

(Primeiro director da Lic. em Ciência das Religiões)

 

publicado por Re-ligare às 09:01
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
MARX CONTRA MARX

 

Foi no contexto da queda do muro de Berlim, em 1989, que F. Fukuyama publicou, em 1992, a obra famosa O Fim da História, segundo a qual, depois do fim da União Soviética e a libertação dos países satélites, por causa da falência do comunismo, a democracia liberal e a economia de mercado se imporiam por si ao mundo inteiro. Mas, em 2008, outro politólogo americano, R. Kagan, escreveu também um livro, mas com o título: O Regresso da História e o Fim dos Sonhos.

Fukuyama enganou-se. O fim da História não se impôs com a democracia e a economia de mercado. O terrorismo global é ameaça constante. "No domínio da economia, não vivemos propriamente a difusão do bem-estar geral; pelo contrário, o abismo entre ricos e pobres no mundo é mais fundo do que nunca", escreve Reinhard Marx, arcebispo de Munique e autor do best- seller com o mesmo título do seu homónimo: Das Kapital (O Capital). Mil milhões de pessoas dispõem de apenas um dólar por dia. Mais de 850 milhões passam fome. Morrem por dia umas 24 mil em consequência da subnutrição.

Há quem pense que Karl Marx tinha razão. Reinhard Marx, porém, reconhece que o capitalismo está hoje sob pressão de justificação, mas recusa o marxismo. De facto, a História mostrou-nos como foi terrífica a Revolução de Outubro de 1917, ao mergulhar muitos milhões de pessoas na noite mais escura. "Isso nunca mais se pode repetir."

Então, quando se considera a presente crise, de consequências imprevisíveis, se se quiser evitar a tentação marxista e as barricadas da revolução, não se pode continuar a caminhar no sentido da absolutização do capital e dos seus interesses. "Eu defendo a propriedade e os direitos dos proprietários", mas o capital não pode ser o bezerro de ouro à volta do qual todos dançam. "O trabalho e os trabalhadores têm primazia sobre o capital." A dignidade da pessoa humana tem de ocupar o lugar central. A economia não é fim em si mesma, pois tem de estar ao serviço das pessoas.

O que a crise financeira internacional de 2008 nos veio mostrar de modo absolutamente claro é que nos precipitamos para o abismo, quando "se excluem do mercado a moral e a ética e se pensa que se pode renunciar a uma ordem política do Estado que mantenha os movimentos do mercado dentro de regras ao serviço do bem comum".

O Estado social não pode ser algo apenas remanescente, após bons negócios. "O Estado social é uma condição necessária, não só moral, mas também política e económica, para a manutenção da economia de mercado."

É preciso distinguir entre capitalismo e economia de mercado. Se os interesses do capital continuarem a ser a única orientação para a economia, então pessoas esmagadas por essa trituradora serão tentadas a refugiar-se nas utopias marxistas. Para evitar a tentação, é necessário lutar por uma economia de mercado que dê espaço a "uma solidariedade institucionalizada num Estado social que funcione, e que funcione na perspectiva do 'bem-estar mundial'".

O célebre Prémio Nobel de Economia J. Stiglitz descreveu a ambivalência da globalização em duas obras: As Sombras da Globalização, em 2002, a que se seguiu, em 2006, As Chances da Globalização. Seja como for, a globalização é um facto e, por isso, o bispo Marx, ao falar na necessidade de novas regras para o capitalismo, refere a exigência moral de uma solidariedade global, que é "também um mandamento da inteligência política". Precisamos de uma economia global, social e ecológica, de mercado.

Na sua obra, o bispo concretiza exigências. Dado o vínculo entre a pobreza material e a pobreza de formação, impõe-se o acento na educação e na formação: "A tentação de combater a pobreza apenas com dinheiro não teve sucesso." "A democracia precisa de virtudes", e isso significa, por exemplo, limite para os rendimentos dos executivos e que os políticos têm de decidir em função do bem comum e não dos interesses de determinadas empresas a eles ligados. É necessária uma nova ordem política mundial, tendo-se imposto o conceito Global Governance, para criar um novo sistema de instituições e regras no contexto dos desafios globais.
 

 

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

 

(Membro da Comissão Científica da Revista Lusófona de Ciência das Religiões)

publicado por Re-ligare às 09:05
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
...POR VIA CORDIAL!

O axioma cartesiano diz que a nossa existência é afirmada, confirmada, pela nossa faculdade de duvidar e de pensar. Seguindo este fio de pensamento, coloquei há alguns dias, aqui neste blog, um pensamento provocador de Rubem Alves (muito cartesiano!) acerca da suspeita da existência…não da nossa, mas da de Deus. «Suspeita... nenhuma certeza. Fujam dos que têm certezas.», diz ele.
Jung achava que Deus só existe enquanto realidade psíquica (se essa existência é mais do que uma construção psíquica individual, abstracta, isso não é objecto da psicologia científica; é coisa da filosofia e da teologia).
Miguel de Unamuno dizia que «se creio que Deus existe é porque quero que Deus exista e, depois, porque se me revela por via cordial (...). É coisa do coração».
Se a nossa identidade se afirma na capacidade de pensar, a existência de Deus afirma-se na nossa capacidade de crer! Em vez de «penso logo existo», teremos qualquer coisa parecida a «creio, logo Existe»!
Estou com Unamuno: há aqui uma certa cordialidade: a única certeza é a do coração. E por isso, fico-me pela ideia com que acordei hoje: Creio, logo Existe!
 Luís Melancia
Docente na Lic. em Ciência das Religiões

P.S. A imagem mostra a chamada Helix Nebula, descrita pelos astrónomos como um túnel de gazes resplandecentes com um trilião de milhas. À medida que vai morrendo, esta estrela tipo Sol vai ejectando pó e gases formando filamentos em forma de tentáculos que se estendem até ao círculo exterior formado da mesma matéria.O nosso Sol terá ele mesmo esta aparência daqui a alguns biliões de anos. A imagem veio a ser popularizada como «o olho de Deus».

 

publicado por Re-ligare às 18:28
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
Jesus e a liberdade

 

“Apesar de o Mestre da Nazaré ter provocado uma revolução no pensamento humano, inaugurando uma nova forma de viver, as funções mais importantes da inteligência que Ele expressou não têm sido incorporadas nas sociedades modernas. Vivemos na era da alta tecnologia, tudo é muito veloz e sofisticado.
Parece que tudo o que Ele ensinou e viveu é tão antigo que está fora de moda.
Porém, os seus pensamentos são actuais e as suas aspirações ainda são, como vemos, chocantes. Perdemos o contacto com as coisas simples, perdemos o prazer de investir em sabedoria. Um dos maiores riscos do uso da alta tecnologia, principalmente dos computadores, é restringir a capacidade de pensar. Recordemos que, aqueles que, frequentemente se socorrem das calculadoras, já não sabem fazer as operações matemáticas mais simples. Tenho escrito sobre a tecnofobia ou fobia de novas técnicas. O medo de usar novas técnicas pode reflectir um sentimento de incapacidade para novas aprendizagens. Todavia, apesar de apoiar o uso de novas técnicas e discorrer sobre a tecnofobia, a internetdependência e a tecnodependência podem restringir a criatividade e a arte de pensar.
Os EUA são a sociedade mais rica do globo. Além disso, são o estandarte da democracia. No entanto, a farmacodependência, a discriminação racial e a violência nas escolas são sinais de que a riqueza material, o acesso à alta tecnologia e à democracia política são insuficientes para expandir a qualidade de vida psíquica e social do homem. A tecnopedagogia, ou seja, a tecnologia educacional, não tem conseguido produzir homens que amem a tolerância, a solidariedade, que vençam a paranóia de ser o número um, que tenham prazer na cooperação social e se preocupem com o bem-estar dos elementos da sua sociedade. A democracia política produz a liberdade de expressão, mas ela não é por si mesma geradora da liberdade de pensamento. A liberdade de expressão sem a liberdade do pensamento provoca inúmeras distorções, uma das quais é a discriminação.
Por incrível que pareça, as pessoas não compreendem que dois seres humanos que possuem os mesmos mecanismos de construção de inteligência, não podem jamais ser discriminados pela fina camada de cor de pele, por diferenças culturais, nacionalidade, sexo e idade.
            Jesus vivia numa época na qual a discriminação fazia parte da rotina social. Os que tinham a cidadania romana consideravam-se acima dos mortais. Do outro lado, a cúpula judaica, por carregar uma cultura milenar, considerava-se acima da plebe. Abaixo da plebe havia os publicanos ou colectores de impostos que eram uma raça odiada pelo colaboracionismo com Roma, os leprosos que eram banidos da sociedade e as prostitutas que eram apenas dignas de morte. Contudo, apareceu um homem que colocou de pernas para o ar aquela sociedade tão bem definida. Sem pedir licença e sem se preocupar com as consequências do seu comportamento, entrou naquela sociedade e revolucionou as relações humanas. Dialogava afavelmente com as prostitutas, jantava na casa de leprosos e era amigo de publicanos. E, para espanto dos fariseus, Jesus ainda teve a coragem de dizer que os publicanos e meretrizes os precederiam no reino de Deus.
Cristo escandalizou os detentores da moral da sua época. O regime político sob o qual vivia era totalitário. Tibério, imperador romano, era o senhor do mundo. Porém, apesar de viver num regime antidemocrático, sem nenhuma liberdade de expressão, Cristo não pediu licença para falar. Por onde andava, levava alegria, mas não poucas vezes também problemas, pois gostava de expressão o que pensava, era um pregador da liberdade.
Mas, por se preocupar mais com os outros do que consigo mesmo, a sua liberdade era produzida com responsabilidade.”
 
Augusto Cury (psiquiatra, psicoterapeuta, cientista teórico e pensador da filosofia) em : “Análise da Inteligência de Cristo: O Mestre da Sensibilidade”
 
Florbela Nunes
aluna do 3º ano de Ciência das Religiões
publicado por Re-ligare às 15:31
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009
DEUS É PÁSSARO ENCANTADO

 

DEUS É COMO UM PÁSSARO ENCANTADO que nunca se vê. Só se ouve o seu canto...

Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa com o nosso. Suspeita... nenhuma certeza. Fujam dos que têm certezas. Olhem bem: eles trazem gaiolas nas suas mãos. Os pássaros que têm presos nas suas gaiolas são pássaros empalhados. Ídolos.

Rubem Alves em "O melhor de Rubem Alves" . (de ricardogondim.com.br)

 

Luís Seabra Melancia

publicado por Re-ligare às 00:28
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