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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010
EKKLESIA CRITICADA


Ahhh, a ambiguidade de quem ama a ekklesia criticada. O amor na crítica de quem critica suas próprias raízes, sua identidade, seu solo sagrado... amorosa crítica eclesial. O amor de quem ama e critica porque é amante e crítico de um corpo que é místico mas paradoxal. Crítica às instituições que criticam os amores e críticas do nosso corpo corporal. Grito do corpo que é corpo e que ama e critica, e que xinga e maltrata o amor a quem ama e xinga com grito real. É… porque alguns amores precisam do corpo, do grito, do amante que xinga, da crítica franca, do amor de quem ama e da fidelidade infiel celeste e infernal. É... porque alguns críticos precisam da ekklesia criticada, transcendentes reféns de seu próprio amor filial. Grito do corpo que sente o que só ele sente. Coração machucado pelo eclesial machucão que só a ele feriu. Self restaurado por eclesiais restaurações pelas quais ressurgiu. Persona de histórias e histórias que só ela mesmo conhece e escreve. Que somente ela viveu e sentiu.

           

Jeyson Messias Rodrigues

aluno da Pós-Graduação (com acesso ao Mestrado) em Ciências das Religiões

publicado por Re-ligare às 14:22
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010
EM QUE, AFINAL, EU ACREDITO?


Eu estava em sala de aula discutindo o conceito de apathéia divina[1] em Tomás de Aquino, quando um de meus alunos me perguntou em que, afinal, eu acredito. Respondi: “Às vezes eu acredito em determinada coisa, às vezes, não... depende do momento que eu estou vivendo”. Me identifico com a metamorfose ambulante cantada por Raul Seixas e teologicamente encarnada por Agostinho. Sou assim. Não gosto de me restringir a uma perspectiva. Faço minhas leituras escancaradas dialogarem com quantas perspectivas eu achar interessantes. Descarto-as quando bem entendo e resgato-as a meu bel prazer. Me divirto com minhas múltiplas pertenças, com minha hibridez identitária, com minha Teologia Líquida[2]. Meus pensamentos não são só meus, tampouco dos outros. Falo o que eu tô a fim de falar. Não adianta me fazer pensar diferente... ou melhor, adianta sim. Basta me convencer com argumentos inteligentes e, principalmente, com gentileza. Mas não se ressinta se depois eu mudar de opinião... acontece sempre.


Se toda interpretação é uma apreensão reducionista da realidade (e, particularmente, penso que seja), um esforço hermenêutico parcial e passional, porque pretender monopolizar a verdade sobre isso ou aquilo? Não opto por uma linha de pensamento, prefiro fazer minha própria colcha de retalhos. No fundo, no fundo, estou fazendo diferente de alguém? Talvez, no máximo, eu só me martirize um pouco menos com essa coisa de coerência, mas se você conhecer alguma referência nesse requisito, por favor me apresente.


Minha postura política? Sei lá! Você sabe qual é a sua, ou a de Lula, ou a dos bichos de George Orwell[3]? É verdade, minha única esquerda é a das mesas, e isso quando me sento à esquerda, porque quando não, não. Espero algum dia conhecer um(a) esquerdista além de Paranísio[4] e um querido jumentinho[5] que admiro de longe. Paulofreireando um pouco, se não há neutralidade ideológica, sou na prática, mais capitalista do que gostaria de admitir. Mais uma de minhas tantas contradições, pois anseio e discurso em prol da justiça social, mas minhas ações no dia-a-dia não me permitem considerar-me idealista. Falo e às vezes escrevo a favor da justiça, me policio pra não me tornar um consumista desenfreado e ajudo muito pouco algumas pessoas que precisam. Só e somente só! Vou posar de profeta pra quê ou pra quem?


A poesia tem muita importância para quem perdeu algumas esperanças e encontrou outras. Então, gosto de poesia. Minha teologia é poética e parte do meu corpo e do meu eros. Minha bíblia: uma coletânea de poemas. Meu Deus: um eterno poeta infantil. As coisas mais sérias deixo pros sérios. Tenho outras prioridades: rir, fazer rir, trazer um pouco de alienação a uns poucos cansados de suas seríssimas realidades. Não posso mudar as regras do jogo, e não quero gastar minha vida amargurado ou a outros, amargurando. Meu propósito de vida? Não tenho grandes pretensões: ser amigo de um Deus concebido por mim (melhor que de um Deus concebido por outros), ser feliz, contribuir com a felicidade de mais algumas pessoas (especialmente de Rúbia) e, como disse Rubem Alves, fazer amor com a vida.


Minha sugestão: seja otimista, mas não crie tantas expectativas sobre alguém ou sobre você. Você vai se frustrar. Ou melhor, crie sim, e se frustre, “ou não” (como diria Caetano), e depois tire suas próprias conclusões de tudo isso. Particularmente, acredito em Deus, nas pessoas e no amor. Não espero muito de ninguém nem de mim mesmo. Amo as ambigüidades humanas. Amo e sou amado por minha mulher. Amo e sou amado por minhas amigas e amigos. Amo e sou amado pela vida. O que mais posso querer senão o mesmo pra os que querem o mesmo?


Não acredito que minha teologia possa trazer libertação pra alguém, a não ser em relação a alguns paradigmas, para aprisionar em outros. Minha postura teológica é... como eu posso dizer...? Pluralista talvez, “ou não”. Na verdade ela sempre “ainda está em construção”. Me divirto com quase todas as teologias e celebro a beleza de quase todas as religiões, do cristianismo ao judaísmo, do islamismo às religiões de matriz afro, do hinduísmo ao budismo, dos totemismos aos xamanismos... aos misticismos... Gosto de quase tudo e de quase todos. Em minha outra encarnação fui Clarice Lispector a quem parafraseio: “Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo sempre”. Mas acredito profundamente em Deus, nas pessoas e no amor.

 

            

Jeyson Messias Rodrigues

Aluno da Pós-Graduação (com acesso ao Mestrado) em Ciências das Religiões


[1] Impassibilidade de Deus e pressuposto grego à perfeção.
[2] Paráfrase do conceito de liquidez de Zygmunt Bauman.
[3] Referência à Revolução dos Bichos, de George Orwell.
[4] MONTEIRO, Marcos. Vila Maravila: um lugar diferente e cheio de graça. Feira de Santana, 2010.
[5] MONTEIRO, Marcos. Um jumentinho na avenida: a missão da igreja e as cidades. Viçosa: Ultimato, 2007.

publicado por Re-ligare às 12:46
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010
Aterosclerose nas artérias das ideias

 

 

"Plaudite, amici, comedia finita est." Com estas palavras Beethoven expirou pela última vez. “Aplaudam, amigos, a comédia acabou”. Esta era também a frase tradicional para a finalizar a performance da “commedia del arte”.

Para Nietzsche, o meu filósofo preferido, «a comédia da existência ainda não se tornou consciente; por enquanto é ainda o tempo da tragédia» … aquele tempo que poderíamos chamar de tempo das instituições do ar sisudo. E sempre a espécie humana decretará de tempos a tempos: «Há qualquer coisa sobre a qual ninguém tem o mínimo direito de rir». Mas tudo é risível meus amigos…tudo! E talvez haja ainda um futuro para o riso. É como se nos faltasse ainda o terceiro dia das festas dionisíacas, no qual se passava da representação da tragédia para a comédia.

Kolakowski, filósofo polaco, escreveu um ensaio cujo título poderíamos traduzir por “O Sacerdote e o bobo da corte». Para ele, todas as sociedades têm estes dois tipos de homens, sacerdotes e bobos da corte. Os primeiros são aqueles que sacralizam o existente e colocam o selo do absolutismo no conhecimento que circula como moeda corrente. A missão deles é preservar o passado e enrijecer o presente. Para mim, esses são os que provocam aterosclerose nas artérias das ideias. Os segundos são os que têm a audácia de rir e fazer rir…desconcertando o poder sisudo, monolítico, enquanto (sem que ninguém dê por isso) organizam um novo concerto de ideias.

Octávio Paz, poeta mexicano, afirmava ser missão do intelectual fazer rir pelos seus pensamentos e fazer pensar por suas piadas.

Rubem Alves, filósofo brasileiro, diz que talvez por força dos feitiços teológicos – no livro do Humbero Ecco, «O nome da Rosa», o irmão Pedro amaldiçoava o riso como coisa demoníaca – por força desses feitiços, dizia, fomos levados a ligar o riso à leviandade e à falta de seriedade. «Assim, estou sempre correndo o risco de ver as coisas que digo com a seriedade do riso serem ignoradas como nada mais que uma brincadeira».

Não nos levemos demasiadamente a sério…; não vale a pena, porque ninguém sairá daqui vivo, li algures. E não esqueçamos que o homem, sendo o animal que mais sofre, é ainda assim o único que inventou o sorriso.

 

Luís Melancia

Docente na Lic. em C.R.

publicado por Re-ligare às 08:35
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Quarta-feira, 7 de Julho de 2010
DEZ TÓPICOS PARA UMA REFLEXÃO CRISTÃ SOBRE A SEXUALIDADE

 

DEZ TÓPICOS PARA UMA REFLEXÃO CRISTÃ SOBRE A SEXUALIDADE

 

1. Quem procura em Jesus de Nazaré (isto é, nas interpretações que dele fazem os Evangelhos, quarenta ou sessenta anos depois da sua morte) elementos para a elaboração de um discurso sobre a sexualidade, fica desiludido. É que Jesus falou muito pouco sobre este tema. Por exemplo, nada diz das numerosas prescrições rituais a que variados textos do Antigo Testamento dâo tanta atenção: de facto, nesses textos a «moral sexual» constitui-se objecto de uma quantidade de prescrições, de que a enumeração exaustiva resultaria fastidiosa (vd., a título de exemplo, Lev. 20:10-21).

 

2. Jesus nunca se detém na condenação da falta que alguém comete, por exemplo a da mulher apanhada em flagrante delito de adultério (Jo 8:11); ou quando declara que as prostitutas, por causa da sua fé, entrarão no Reino dos céus à frente dos fariseus (Mat 21:31,32; vd. tb. Heb. 11:31). E, contudo, Jesus radicaliza as prescrições do Antigo Testamento, indo à raiz do comportamento, no desejo e no olhar (Mat 5:28; 15:19).

 

3. O jardim do Éden (Gén. 2:8 e segs.) não é o lugar de um tempo em que o homem e a mulher existiam como seres não sexuados. Adão e Eva são, desde o princípio, seres sexuados, e o texto não fala de nenhum pecado que tenha surgido das relações sexuais. Nesse extraordinário mito das origens, Adão e Eva não cometem nenhum «pecado original» que seria um pecado sexual: o fruto de que comem é o do conhecimento, que faz com que os seus olhos se abram. A famosa «queda» de Adão e Eva (palavra com que na catequese cristã se tem tradicionalmente exprimido a ideia de uma decadência resultante do pecado) não é uma «queda para baixo», mas sim uma «queda para cima»: é uma passagem dos olhos fechados aos olhos abertos, isto é, do não conhecimento ao conhecimento, da não consciência à consciência (leia-se Gén. 3:5 e segs.).

 

4. A sexualidade não é, pois, o sinal da decadência humana: ela é dom de Deus. O texto bíblico, logo desde o princípio, não se cansa de repetir: a criação de Deus, toda a criação de Deus, é boa, muito boa. A fé do antigo Israel soube elevar-se genialmente àquilo a que poderíamos chamar um sentido da criação, segundo o qual a terra inteira canta com os céus a glória do Eterno. Daí essa magnífica expressão, esse grito de júbilo que o texto bíblico põe na boca do primeiro homem ao descobrir a primeira mulher: «Esta vez, é o osso de meus ossos, a carne da minha carne!...».

Digamo-lo enfaticamente: o espiritual é, aqui, carnal !

 5. Ver nos primeiros capítulos do Génesis a instituição do casamento monogâmico é esquecer, entre outras coisas, que é o próprio Deus quem, alguns capítulos depois, fornece a Abraão (o pai da fé!) a ocasião de praticar a poligamia, prática confirmada pelos descendentes do patriarca. A ideia de que o Criador teria sido, originalmente, o legislador da monogamia resulta, sem dúvida, de uma projecção no passado mais longínquo de uma situação de facto, interpretada teologicamente na perspectiva de uma história restringida ao Ocidente.

 

6. O capítulo 19 do Evangelho de Mateus (vers. 3-12), apresentado habitualmente como fundamento do que teria sido o casamento monogâmico das origens, não tem como tema o casamento. O seu tema é o divórcio (mais exactamente: a legitimidade ou não da carta de repúdio dada pelo marido à sua mulher, de quem ele quer separar-se).

 

7. Em perspectiva histórica pode, porém, dizer-se que o homem e a mulher se têm humanizado ao humanizarem a sua sexualidade, em grande parte, através da disciplina da instituição conjugal. O casamento continua a ser uma aposta cardinal da nossa cultura. É, contudo, uma aposta permanentemente vulnerável, na medida em que entre Eros (o amor erótico) e a instituição do casamento o pacto que se estabelece é vivido sob a ameaça da precariedade. É que, fazer coincidir a singularidade do desejo com a universalidade da instituição é uma aspiração sem garantias.

Convenhamos que o desafio não é fácil: não é fácil atingir a fusão da instituição com o Eros sublimado em ternura. É que institucionalizar Eros, reduzindo-o à dimensão de um contrato, é ofendê-lo.

 

8. O cristianismo, no ensino do seu magistério, tem visto a instituição casamento como o lugar onde a sexualidade se esgota na procriação. Há, porém, que contestar essa perspectiva na medida em que pensar uma ética da ternura implica incluir a procriação na sexualidade e não a sexualidade na procriação.

 

9. De Freud aprendemos que a sexualidade não é simples, e que a integração das suas múltiplas componentes é uma tarefa incessante. Ela é lugar de inscrição de todas as dificuldades, perigos e impasses, mas também de todas as alegrias e de todo o maravilhoso. De Freud aprendemos ainda que o primeiro estatuto da sexualidade é o auto-erotismo, e que o outro sexo é a conquista (sem cessar a reconquistar) que supõe uma renúncia ao mesmo tempo que um desabrochamento.

 

10. «Quando dois seres se entregam ao amplexo de uma união, não sabem o que fazem; não sabem o que querem; não sabem o que procuram; não sabem o que encontram. Que significa esse desejo que os empurra um para o outro? Será o desejo do prazer? Sim, sem dúvida. Mas é uma pobre resposta; porque ao mesmo tempo pressentimos que o próprio prazer não tem o seu sentido nele mesmo: pressentimos que é figurativo. Mas de quê? Temos a consciência viva e obscura de que o sexo participa de uma rede de potências cujas harmonias cósmicas estão esquecidas mas não abolidas; de que a vida é muito mais que a vida; (...) de que a vida é única, universal, toda em todos, e de que é neste mistério que a alegria sexual faz participar.» (Paul Ricoeur).

 

DIMAS DE ALMEIDA

Professor na Lic. em Ciência das Religiões

 

 

 

publicado por Re-ligare às 02:39
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