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Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010
NÃO FICARÁ AQUI PEDRA SOBRE PEDRA

 

A palavra templo – do latim templum – significa delimitar, cortar, dividir. Está dito: templos tornam-se locais de isolamento, de rompimento, de corte. A ideia de sacralidade do templo constrói-se à custa da diabilização do espaço exterior.

 

Por esse motivo ainda hoje podemos ver ao redor de muitos templos egípcios uma muralha feita com tijolos em forma de ondas, representando as águas caóticas que estão para além do espaço sagrado, delimitado.

 

O templo românico, caracterizado por igrejas que são autênticas fortalezas de pedra, com «janelas» diminutas, deixa-nos vislumbrar a necessidade psicológica do homem medieval de se proteger do caos, da instabilidade, da insegurança do exterior e recolher-se em segurança para tentar tratar das grandes questões existênciais, as questões da vida e da morte.

 

Templos - sistemas fechados, frios, preconceituosos, dogmáticos, que resultam da tentativa de homens inseguros em delimitar, definir (definir é dar fim), de enclausurar, de enjaular o homem num espaço mental facilmente controlável e considerado de segurança. A reverência no templo não convida só à meditação: impõe o silêncio, a aceitação acéfala e acrítica de tudo o que se diz autoritariamente em nome do Sagrado.

 

Há quem tire o chapéu quando entra no templo e há quem tire também a cabeça...

 

O templo de pedra é a tentativa de empedernir, endurecer, enrijecer uma ideia, um conceito, um preconceito, um tabu, um dogma e torná-los inquebráveis. E se alguém ousar lançar-se contra tais pedras...esmagar-se-á. O pior ainda é que, com muita frequência, os templos de pedra se tornam locais de apedrejamento...

 

O mito de criação judaico transporta a origem do homem para um jardim...porque vivemos melhor entre flores que entre pedras. Prefiro jardins a templos: no jardim vejo as cores, sinto as flores, cheiro os aromas, ouço os pássaros, deito-me na relva, sinto a brisa...e eu acho que Deus vive é nos jardins, não nessas casas frias de pedra.

 

O homem vive num reino mineral...pedras, pedras, e mais pedras. Algumas torna-as preciosas porque sim..mas são sempre pedras.E já o profeta Ezequiel alertou para o facto de que esse reino mineral dá mau resultado (Ezequiel 28:13-15). E não é que o Apocalipse diz que nessa nova cidade não haverá templo (Apoc. 21:22)??!!

 

É por tudo isto que acho que «não ficará aqui pedra sobre pedra»...

 

Luís Melancia

Docente na Lic. em CR

publicado por Re-ligare às 16:23
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010
TEOLOGIA DE QUAL LIBERTAÇÃO?

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me conferiu a unção para anunciar a boa nova aos pobres. Enviou-me para proclamar aos cativos a libertação[1]...” (Lucas 4. 18; cf. Isaías 61).

                

INTRODUÇÃO

Algumas expressões são difíceis de conceituar. Desde há muito, hermeneutas, exegetas, filólogos etc., vêm se esforçando e demandando energia e capital a fim de encontrar o sentido de certas expressões bem comuns nos textos sagrados, ainda que muitos de nós imaginem conhecê-las tão bem, a priori. Há pouquíssimo tempo, as recém-nascidas ciências sociais, especialmente a antropologia, também lançaram algumas luzes sobre a busca de alguns significados pertencentes a certos contextos culturais específicos. Malinowski propôs ao mundo um novo método antropológico:
a observação participante, a partir da inserção demorada e atenta do pesquisador no grupo estudado, despojando-se de preconceitos, de forma que o possibilitasse mergulhar e compreender o espírito (essência) da cultura do outro. Evidentemente, ele não conseguiu pôr sua proposta em prática, nem poderia. A neutralidade positivista se mostrou um ideal utópico à realidade humana. Mas observe-se a complexidade presente na busca ou resgate de idéias que, comumente, têm um sentido único e peculiar dentro de seu próprio contexto.

Atualmente, hermenêuticas angelicais estão se tornando cada vez mais difíceis de engolir. Como toda leitura unilateral, a própria espiritualização do termo “libertação” empobrece um conceito por demais abrangente. Se lido dentro do contexto profético, agrava-se ainda mais qualquer reducionismo pietista. Desse cansaço à minha simpatia pela Teologia da Libertação foi um caminho curto a ser percorrido. E de fato, esta ainda
me parece uma importantíssima alternativa teológica. Mas confesso que, às vezes, me pergunto em que consiste essa libertação institucionalmente anunciada desde os anos 60.

Como se sabe, desde o século XIX, o mundo vem experimentando transformações sem precedentes. O desenvolvimento de algumas nações em detrimento de outras, exploradas nas relações de intercâmbio internacionais, acentuou uma realidade de progressiva desigualdade. A revolução industrial gerou uma produção em maior escala, provocando uma necessidade de mão de obra proletária cada vez maior. Isso corroborou com a esperança de inclusão sócio-econômica a um campesinato cada vez mais esperançoso em uma espécie de messianismo urbano. Empregando-os, a cidade os salvaria. Contudo, além de não haver vagas para todos, o que endossava as absurdas exigências dos patrões, a concorrência da indústria e do comércio frente ao surgimento da manufatura deu origem ao progressivo corte de elementos que garantiam o mínimo de dignidade à nascente classe proletária. Representantes da burguesia, detentores do capital e dos meios de produção não podiam falir frente à livre concorrência. De onde cortar gastos? Daqueles que não detinham o poder, a despeito de haverem largado tudo e precisarem do pão no fim do dia (ou da noite) para alimentar a família, que, inclusive, geralmente também trabalhava a mesma jornada de até 18 horas diárias.

A dura realidade afastou da igreja inúmeras famílias que mal tinham tempo para sobreviver, que diria celebrar um Deus inerte e indiferente à sua gritante desumanização. Nesse momento surgiram os primeiros padres operários, fazendo de fábricas e minas, suas dioceses. Que buscaram entender empiricamente a realidade vivida por seus irmãos e irmãs. Esses padres largaram tudo, alguns se tornaram operários “apóstatas”[2], outros, preservaram a fé “dentro do inferno”, persistindo na tarefa de pregar a justiça de Deus aos espíritos em prisão[3]. Dessa alternativa eclesial profética surgia a Doutrina Social da Igreja (DSI), a posteriori, fortemente criticada por uma ala mais subversiva da catolicidade que defendia uma atitude mais revolucionária que o mero desprendimento solidário, e que se oficializaria como Teologia da Libertação na década de 60.

Na América Latina, essa ala mais esquerdista, cujos representantes (em sua maioria) assimilaram diversos elementos da teoria marxista, assumiu uma postura de denúncia e mesmo de enfrentamento ideológico e, às vezes, físico contra a violência de um mundo cujas elites dominantes não pareciam estar dispostas a negociar as vantagens oferecidas pelo capitalismo excludente e dicotomizador da relação “cidade x campo”. Vale
ressaltar que no Brasil e em diversos países latino-americanos, em conformidade com a teoria marxista, o Estado encarnou o papel de defensor dos interesses da burguesia[4] (MARX; ENGELS, s.d.), legitimando toda violência cometida em nome da “ordem e segurança nacional”, tenazmente ameaçadas pelos padres comunistas durante o período da ditadura. No entanto, os tempos mudaram.

Atualmente, os movimentos sociais vivenciam verdadeiras crises identitárias. Não sabem contra quem ou contra o que devem lutar. Contra o capital? Cadê ele, onde ele está? Segundo Bauman, a extraterritorialidade é uma das marcas da elite global desta sociedade líquido-moderna (BAUMAN, 2004, pp. 120-121). A arena de batalha de muitos movimentos sociais foi transferida dos campos, praças e universidades para os espaços virtuais e corredores parlamentares. As mobilizações foram quase que totalmente substituídas pelas negociações políticas entre grupos de interesse.
Instituições como a CUT e o MST foram assimiladas pela máquina governamental, da qual se tornaram reféns. E as lideranças de tais movimentos se dividem, fragmentando a força política das majoritárias “minorias”.

Diante de um quadro tão diferente, teólogas e teólogos da libertação se dividem sobre o que e como fazer. Algumas questões, no entanto, parecem importantes e talvez mereçam menção. Uma delas é a crítica que Marx fez à ideologia alemã de então que, segundo ele, acabava atrapalhando uma real transformação da realidade naquele contexto. Assim, apesar de reconhecer a contribuição de Feuerbach, Marx afirmava
que “a libertação é um ato histórico e não um ato de pensamento, e é realizada por condições históricas, pela situação da indústria, do comércio, da agricultura, do intercâmbio...” (MARX, 2005, p. 73). A pretensão feuerbachiana de transformação sócio-econômica através da conscientização do povo, portanto, não levaria a nada, pois também "a consciência é pois um produto social". Em Marx, não é uma nova consciência que faz a revolução. Ao contrário, é necessário haver condições materiais que permitam a emancipação do povo. Sim, porque são as elites que determinam o pensamento dominante através dos meios de socialização, da cultura de massa, da comunicação, da religião, do ensino etc.

É só prestar atenção como, via de regra, o discurso religioso legitima o respeito e obediência às “autoridades divinamente instituídas”[5]. Para Peter Berger, apesar de também reconhecer o potencial desalienante da religião[6], seu aspecto mais marcante continua sendo seu papel na manutenção da ordem, do nomos, da realidade subjetiva e socialmente construída. Função legitimadora que confere às instituições humanas status cósmico, status metafísico ontológico que produz a alienação dos sujeitos quanto ao fato de este mundo ter sido e continuar sendo co-produzido por eles (BERGER, 1985).

Além dessa manutenção das estruturas por parte da religião, note-se também, agora, no âmbito da educação, o currículo das escolas e universidades, o quão determinado é pela lógica do capital. Por qual motivo se investe tanto desde o ensino fundamental nas ciências naturais e aplicadas, em detrimento de disciplinas como filosofia, sociologia e outras ciências humanas? Ora, para que investir na formação de pensadores críticos em detrimento das necessidades capitalistas de alimentar a avançada engrenagem da produção de tecnologias a serem comercializadas?

É isso que determina o currículo: as demandas do capital. Nem precisa ir muito longe para observar como grita a diferença entre os cursos bem aqui, na própria Universidade Federal de Alagoas, a começar pela estrutura física e localização geográfica dos blocos[7] e da veiculação de verbas, a despeito de ações políticas, como por exemplo, o boicote dos alunos dos cursos de Ciências Sociais às avaliações do ENAD.

Também os meios de comunicação, financiados pelas elites, formam a consciência popular. Mesmo entre os “esquerdistas” consegue-se dividir opiniões. Note-se um dos recentes “escândalos” do MST em latifúndios ocupados por plantações de laranja, incansavelmente denunciado pela Rede Globo que, com muita habilidade conseguiu providenciar para que nem mesmo os simpatizantes do movimento ficassem do lado dos sem-terra. Transformação pela conscientização? “Poupem-me”, diria Marx. Quem investe mais na conscientização do que o próprio capital? Para não falar nos efeitos da indústria cultural que, através da velha tática do “pão e circo” (mais circo que pão, diga-se de passagem), entorpece a massa, substituindo os hábitos da leitura e reflexão por entretenimento: diversão, diversão e mais um pouco de diversão para fazer o povo rir.
Afinal, ele merece!

Segundo Marx, para a produção de uma nova consciência seria necessária, primeiro, uma inversão da pirâmide. Seria necessário, primeiro, tirar das mãos das minorias detentoras do capital o poder sobre alguns veículos de socialização: imprensa, educação, religião etc. Seria necessário, primeiro, revolução para se conseguir uma conscientização a partir dos interesses da maioria: a base, a massa. A crítica de Marx a Feuerbach é exatamente porque este acreditava na transformação a partir de uma conscientização. Transformação que, em Marx, só seria possível mediante inversão dessa ordem: a construção de uma nova consciência a partir da revolução.

                       

TEOLOGIA DE QUAL LIBERTAÇÃO?

Talvez a teorização da Teologia da Libertação em detrimento da práxis que mais a distanciou da Doutrina Social da Igreja (DSI) e de tantas outras teologias pejorativamente rotuladas por alguns teólogos da libertação como “semânticas”, vá de encontro à sua própria gênese. Afinal, o que melhor oxigena e legitima qualquer teoria senão a empiria? Quero sim, ter em mente as diferenças (reconhecidamente não dicotômicas) existentes entre teoria e prática.

A Teologia da Libertação parece ter deixado de ser uma proposta revolucionária como aconteceu principalmente nas décadas de 60 e 70, quando se viveu um intenso processo de fermentação revolucionária que pressionava e exigia uma resposta à “insustentável situação de miséria, alienação e espoliação em que vive a imensa maioria da população latino-americana” (GUTIÉRREZ, 1985, p. 85). A atual Teologia da Libertação parece haver se tornado muito mais retórica. A crítica de Marx foi exatamente ao caráter filosófico da postura de Feuerbach. Por este acreditar que não a revolução, mas a construção de uma nova consciência seria suficiente para transformar a realidade, como se esta não fosse socialmente construída através de mecanismos usados em favor da manutenção da ordem burguesa. Assim, Marx chegou a afirmar que a oposição feuerbachiana ao sistema era, na prática, inútil. Ou se estava de um lado ou do outro. Ou do lado da revolução ou do sistema vigente.

Por outro lado, é razoável e necessária a formação de uma consciência critica naqueles que querem transformação. De outro modo, por qual motivo se lutaria? Segundo Bauman, A distinção entre liberdade “subjetiva” e “objetiva” abriu uma genuína caixa de Pandora de questões embaraçosas [...] Uma dessas questões é a possibilidade de que o que se sente como liberdade não seja de fato liberdade; que as pessoas poderem estar satisfeitas com o que lhes cabe mesmo que o que lhes cabe esteja longe de ser “objetivamente” satisfatório; que, vivendo na escravidão, se sintam livres e, portanto, não experimentem a necessidade de se libertar, e assim percam a chance de se tornar genuinamente livres.

O corolário dessa possibilidade é a superposição de que as pessoas podem ser juízes incompetentes de sua própria situação, e devem ser
forçadas ou seduzidas, mas em todo caso guiadas, para experimentar a necessidade de ser “objetivamente” livres e para reunir a coragem e a
determinação para lutar por isso (BAUMAN, 2001, p. 25).

Entretanto, o próprio Bauman nos lembra a preocupação que atormentou os filósofos: a possibilidade de as pessoas optarem por não querer ser livres, rejeitando a perspectiva da libertação pelas dificuldades que o exercício de tal liberdade poderia lhes causar (Idem.). Fazer uma leitura demasiadamente otimista sobre a sede popular por tal conscientização e sobre sua eficácia, de forma isolada à prática transformadora, parece
corroborar com a crítica marxista a Feuerbach. Assim, ao que parece, não se pode fazer transformação sem conscientização. Tampouco se constrói nova conscientização sem uma transformação anterior que a possibilite. O que fazer? Para certas perguntas não há respostas. Penso, entretanto, que se precipitar em responder e cristalizar soluções simplistas atrapalhe ainda mais o advento de nossas utopias por um outro mundo possível[8].

Uma coisa é certa, pouco adianta ainda hoje, criticar a estrutura com palavras contraditas por ações que a alimentam. Chego a imaginar uma personificação do capital às gargalhadas e mesmo batendo palmas aos discursos possivelmente também alienantes: “Vamos instaurar o reino de justiça! Vamos resistir ao capital! Vamos lutar contra as injustiças estruturais! Vamos paralisar e reivindicar até conseguir! Vamos denunciar! Tá errado... tá errado... tá errado!” Para quem gosta de ler, escrever e falar é fácil. Não tenho ouvido muitas denúncias públicas, expressivas, e via de regra, muitos que dizem “vamos” não costumam encabeçar as marchas. Evidentemente, a Teologia da Libertação apenas reflete uma tendência geral, um vício na crítica pela crítica. Finge-se que meras palavras ferem um sistema que, por sua vez, finge que está sendo ferido.
Segundo Marx, não é lutando contra a fraseologia de um mundo que se luta com o mundo que realmente existe. Trago à memória a reprodução e comercialização em massa da imagem de Che Guevara[9]. Para Bauman, nossa sociedade – uma sociedade de “indivíduos livres” – fez da
crítica da realidade, da insatisfação com “o que aí está” e da expressão dessa insatisfação uma parte inevitável e obrigatória dos afazeres
da vida de cada um de seus membros [...] De alguma maneira, no entanto, essa reflexão não vai longe o suficiente para alcançar os complexos mecanismos que conectam nossos movimentos com seus resultados e os determinam, e menos ainda as condições que mantêm esses mecanismos em operação. Somos talvez mais “predispostos à crítica”, mais assertivos e intransigentes em nossas críticas, que nossos ancestrais em sua vida cotidiana, mas nossa crítica é, por assim dizer, “desdentada”, incapaz de afetar a agenda estabelecida para nossas escolhas na “política-vida” (BAUMAN, 2001, p. 30-31).

Evidentemente, de forma geral, e a nível global, a revolução é considerada uma alternativa cada vez menos viável e cada vez menos possível. Assim, não é que representantes da igreja devam voltar às armas, absolutamente. No entanto, pressupondo, que a “teologia da crítica” lidará bem com uma crítica direcionada a si própria, penso que trazer à reflexão algumas críticas talvez contribua para uma des-messianização da Teologia da Libertação, de alguns de seus discursos e de alguns de seus representantes.

              

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO DE QUEM?

Mas a final, quem é que precisa de libertação? E quem é libertador de quem nessa história toda? Falamos da TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO DE QUEM? A despeito de, em tese e unanimemente, se remeterem a Javé como o Libertador dos pobres e oprimidos, observe-se como se identificam muitos teólogos e ministros adeptos da Teologia da Libertação. É um negócio de padre libertador, pastor libertador, teólogo libertador, pensador libertador... Note-se, primeiramente, a simbólica negação de um caráter libertário em outras teologias[10]. Note-se também, quem é o implícito
portador da libertação do Outro. Note-se ainda a pequena expressividade de mulheres e homoeróticos entre tais sacerdotes. Não se vêm muitas pastoras, madres ou ministros e ministras gays “libertadores” e “libertadoras” representando o movimento.

Seriam, por acaso, alguns representantes da Teologia da Libertação, os primeiros a precisar de libertação? Talvez uma libertação em relação a certos preconceitos? Talvez em relação a certos vícios como por ar-condicionados, mesas de debate acadêmico, escritórios, congressos e outras vitrines do “Si mesmo” enquanto únicos campos de atuação? Obviamente, não se há de negar a liberdade do teólogo “libertador” para optar
pelo conforto desses espaços, muito menos negligenciar a responsabilidade intelectual de que fala Andres Torres Queiruga, tão importante à concepção de um Deus para hoje (QUEIRUGA, 2006). Segundo Leonardo Boff, a práxis libertadora exige, por seu lado, uma racionalidade que lhe
seja adequada. Deve procurar aquelas mediações teóricas que melhor desvendem os mecanismos geradores da opressão; deve operar
aquelas mediações sociais e políticas que tornem eficiente o amor e transformadora a fé (BOFF, 1980, p. 54).

Todavia, remeto-me aqui, à crítica freireana ao que chama “incoerência agressiva que existe entre as nossas afirmações ‘progressistas’ e o nosso estilo desastrosamente elitista de ser intelectuais” (FREIRE, 1996, p. 109). Para não falar na indústria que gira em torno de tudo isso. Tente, com pouco dinheiro, por exemplo, comprar um bom livro da mesma Teologia da Libertação que condena a lógica do capital. - Não há como fazer
diferente? Talvez não mesmo.

Talvez nós, que simpatizamos ou aderimos à Teologia da Libertação, só devamos sustentar um discurso de resistência e subversão à ordem que aí está, se estivermos dispostos a não só falar, mas a fazer resistência. “Enquanto não pusermos em prática nossos próprios ensinamentos espirituais, nunca seremos levados a sério” (DALAI-LAMA, 2006, p. 170). Nas palavras de Leonardo Boff, “O ministério da igreja não deve ser apenas enunciado e proclamado. Deve, antes, ser mostrado”. O teólogo da libertação afirma ainda que “se redefine o papel do religioso e do teólogo como alguém que comunga das expressões de fé popular e que pensa a fé junto com as experiências e desafios da comunidade” (BOFF, 2004, p. 23 e 52). Se dicotomizar teoria e prática é um equívoco, seria menos equivocado negar-lhes suas diferenças?

Reconheçamos, não estamos dispostos a denunciar a injustiça senão aos nossos ouvintes, na segurança de nossas igrejas e/ou CEB’s. Quantas vezes nos dirigimos aos políticos corruptos (não quero ser redundante), usineiros e latifundiários, promotores e beneficiários das injustiças sociais, de forma geral? Quantas vezes saímos de casa para caminhar com o injustiçado e conhecer de perto sua miséria sobre a qual falamos de
longe? Menos do que deveríamos? Não sei. Talvez já estejamos fazendo a nossa parte nos limitando aos discursos sobre injustiça econômica. Talvez não possamos arriscar nossos pescoços numa atitude explicitamente contrária a diversas outras formas de marginalização, exclusão e discriminação de forma geral. Que o digam mulheres, gays, lésbicas e representantes de outra cultura e religiosidade, ainda olhados como que de
cima para baixo, como quem pode (ou não) ser incluso pela igreja, como se o Théos Spermatikos[11] fosse monopólio masculino, heterossexual ou cristão.

Concordo com Paulo Freire: Ninguém liberta ninguém. “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém” (FREIRE, 2005, p. 61). Para o pedagogo,

Precisamos estar convencidos de que o convencimento dos oprimidos de que devem lutar por sua libertação não é doação que lhes faça a
liderança revolucionária, mas resultado de sua conscientização. É necessário que a liderança revolucionária descubra esta obviedade:
que seu convencimento da necessidade de lutar, que constitui uma dimensão indispensável do saber revolucionário, não lhe foi doado por
ninguém, se é autêntico. Chegou a este saber, que não é algo parado ou possível de ser transformado em conteúdo a ser depositado nos
outros, por um ato total de reflexão ou de ação. Foi a sua inserção lúcida na realidade, na situação histórica, que a levou à crítica desta
mesma situação e ao ímpeto de transformá-la (Idem).

                     

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO PARA QUEM?

Há ainda uma outra questão com a qual, de tempos em tempos, também sou confrontado: Afinal, falamos de uma TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO PARA QUEM? Sou contrário a qualquer pretensão de trazer soluções para as questões da humanidade, sobretudo através de respostas que não respondem às perguntas que são feitas. Sou contrário a qualquer iniciativa insensível e surda, cujos clichês e respostas prontas
não contemplem os dilemas que realmente afligem os grupos para os quais se dirige.

Continuaremos reproduzindo a atitude dos missionários europeus e norte-americanos que tanto criticamos, cuja nobre intenção os ensurdeceu aos anseios de seus objetos de inculturação? Com o receio de encarnar o mesmo triunfalismo teológico “branco” que trouxe ao Brasil e a outros países uma teologia socialmente irrelevante, alienada e alienante ao contexto onde pretendia se inserir, particularmente, sinto a necessidade de saber até que ponto, de fato, meu discurso não está alienado às necessidades e expectativas daqueles aos quais pretendo falar. Não me refiro aqui às necessidades e expectativas que eu julgo que eles têm, subestimando arrogantemente a inteligência, a sabedoria, a criticidade e o discernimento dos homens e mulheres, por simples que sejam, mas àquelas que eles e elas mesm@s julgam importantes.

Afinal, serei eu o juiz sobre o que o Outro deve ou não ouvir e saber? A mensagem de libertação que eu ofereço os motiva e anima, os enche de esperança e coragem, ou os deprime e entristece ainda mais, mostrando como é injusta a realidade que nunca vão superar e tirando-lhes até mesmo sua maior esperança e alegria última: a fé em que um reino de justiça os espera na vida eterna, “revelando”[12], assim, o que muitos preferiam que permanecesse “velado”[13]? Continuaremos impondo aquilo que julgamos ser-lhes bom? Continuam, os Outros (ir)relevantes, selvagens[14] demais para discernir o que lhes é bom e verdadeiro? Talvez esteja na hora de parar um pouco de falar e escrever para melhor ouvir o que eles e elas têm a dizer. Afinal, Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele [...] É preciso, porém que quem tem o que dizer saiba, sem sombra de dúvida, não ser o único ou a única a ter o que dizer. Mais ainda, que o que ter a dizer não é necessariamente, por mais importante que seja, a verdade alvissareira por todos esperada [...] A importância do silêncio no espaço da comunicação é fundamental. De um lado, me proporciona que, ao escutar, como sujeito e não como objeto, a fala comunicante de alguém, procure entrar no movimento interno do seu pensamento, virando linguagem; de outro, torna possível a quem fala, realmente comprometido com comunicar e não com fazer
puros comunicados, escutar a indagação, a dúvida, a criação de quem escutou. Fora disso, fenece a comunicação [...] é escutando bem que
me preparo para melhor me colocar ou melhor me situar do ponto de vista das idéias (FREIRE, 1996, pp. 113-120).

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO PARA QUEM? Ao falar sobre o caráter ambíguo da liberdade, Bauman faz referência a uma releitura de um trecho da Odisséia, feita por Lion Feuchtwanger. Nessa releitura, os marinheiros enfeitiçados e transformados em porcos por Circe teriam gostado da nova condição de forma que, quando Ulisses trouxe a erva mágica capaz de quebrar o encanto, tornando-os novamente humanos, eles fugiram. O único suíno que Ulisses conseguiu segurar e esfregar a erva, ao ser liberto da maldição, respondeu furioso: Então voltaste, ó tratante, ó intrometido? Queres novamente nos aborrecer e importunar, queres novamente expor nossos corpos ao perigo e forçar nossos corações sempre a novas decisões?
Eu estava tão feliz, eu podia chafurdar na lama e aquecer-me ao sol, eu podia comer e beber, grunhir e guinchar, e estava livre de
meditações e dúvidas: “O que devo fazer, isto ou aquilo?” Por que vieste? Para jogar-me outra vez na vida odiosa que eu levava antes? (FEUCHTWANGER, apud. BAUMAN, 2001, p. 25).

Ainda que partamos do arrogante pressuposto de que detemos a verdade que libertará o Outro (faço aqui, minha ressalva a essa ilusão), por mais estranha que me pareça a situação vivida pelo Outro, não é a esse Outro que melhor cabe o juízo sobre sua
própria condição? Sem desconsiderar a naturalização de conceitos sócio-historicamente construídos para, ideologicamente, introjetar nas massas sentimentos de inferioridade etc., “os homens podem não estar inteiramente equivocados quando questionam os benefícios que as liberdades oferecidas podem lhes trazer” (BAUMAN, 2001, p. 26). “Um dos equívocos de militantes políticos de prática messianicamente autoritária foi sempre desconhecer totalmente a compreensão do mundo dos grupos populares. Vendo-se como portadores da verdade salvadora, sua tarefa irrecusável não é propô-la mas impô-la aos grupos populares” (FREIRE, 1996, pp. 81-82).

Um outro problema que aqui se apresenta diz respeito à presença do opressor no oprimido. Pelo que elas e eles esperam, pela libertação em relação a esse sistema opressor ou por uma ascensão dentro dessa mesma estrutura? Desejam o fim da opressão ou apenas tornarem-se, também eles, opressores nessa mesma lógica? Durante os três anos que trabalhei com crianças no Vale do Reginaldo, pude observar aspectos
que cotidianamente me falam, construindo, desconstruindo e reconstruindo dia a dia, minhas próprias idéias, opiniões, interpretações.

De fato, tal qual ocorre com a cana de açúcar, é uma comunidade moída pela dinâmica urbana. Semelhantemente ao que também acontece ao bagaço da cana, preservam em si, um doce sabor (MONTEIRO, 2007). Lá as crianças ainda podem desenvolver sua criatividade construindo seus próprios brinquedos e jogando futebol e ximbra nos terrenos irregulares. Lá se criam belos e inteligentíssimos mecanismos de convivência e sobrevivência. Mas também lá está presente a relação “opressor x oprimido”, a que se refere Paulo Freire ao afirmar que “a verdade do opressor reside na consciência do oprimido” (FREIRE, 2005, p. 8). Lá, o fato de o opressor estar introjetado no oprimido se revela de várias formas: na exploração, por parte do pobre que conseguiu montar um mercadinho, àquele que é ainda mais pobre que ele: seu funcionário. Na relação desse mesmo funcionário com sua esposa e filhos, de forma que depois de passar o dia inteiro sendo oprimido, tendo sua mão-de-obra explorada, ao chegar em casa se torna o opressor de sua família, agredindo-os simbólica e fisicamente. Na relação entre essa mãe, oprimida pelo marido que é oprimido pelo patrão também oprimido, e seu filho gay. Na relação desse filho com um coleguinha ainda mais pobre e sem brinquedo
algum, com o qual, por isso, não queira brincar. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO PARA QUEM? E quanto aos que não querem ser libertos? Para aqueles e aquelas que anseiam apenas por trocar de papel em suas relações sociais, reproduzindo assim, as mesmas relações de injustiça e desigualdade?

               

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES NÃO-FINAIS

A despeito do uso de alguns referenciais teóricos, este ensaio não passa de um partilhar de antigas inquietações. Nossos questionamentos a essa atual Líquida[15] Teologia da Libertação não se restringem a ela ou a seus representantes. Nós também nos inserimos nessa atual criticidade ordinária e distante de qualquer prática que assuma as últimas conseqüências dos belos discursos anunciados e redigidos para os nossos próprios guetos. Repito, não pretendi aqui fornecer fórmulas, soluções ou passos a serem dados. Pelo contrário, confesso minha triste perplexidade diante da força e da aparente invulnerabilidade das estruturas promotoras de desigualdade e injustiça. Sinceramente, ainda não sei o que fazer de concreto e eficaz. E enquanto não descubro, prossigo mostrando meu “sorriso sem dentes” e tentando produzir em outros rostos semelhantes sorrisos. É o que sei fazer de melhor: rir e fazer rir. Espero que alguém se divirta ao menos com minha falta de dentes. É que certas dentaduras me incomodam. Por outro lado, amor, poesia e riso podem ter grande importância para quem perdeu algumas esperanças e descobriu outras. Sou sim mais um indivíduo dessa sociedade criticamente desdentada. Mas considero dignos de apreciação, alguns exemplos concretos que têm me trazido novas esperanças.

Apesar do pouco conhecimento e reconhecimento ao trabalho desenvolvido por Adriano Trajano[16] através de uma congregação batista na cidade de Chã Preta, Zona da Mata de Alagoas, este me parece um exemplo que merece atenção. A constante releitura que se reflete nas mudanças de atitude pastoral a fim de atender aos anseios da comunidade parecem exemplificar a necessidade de estar atento para observar o que o Outro entende como sendo suas necessidades e não, meramente, o que “eu” penso que o Outro precisa.
Trajano não insiste em enfiar “goela abaixo” os discursos produzidos pela academia e distantes da realidade, dos anseios populares sentidos por ele no contexto onde está inserido. Pelo contrário, depois de quatro anos resistindo em sua fala “libertadora” e defendendo-a em monografias e mesas de debate, o pastor de Chã Preta se dobrou. Se dobrou não aos que falam sobre os pobres, mas aos próprios pobres freqüentadores de
sua comunidade de fé. Optou por oferecer não o que os teóricos, mestres e doutores sugerem, mas o que percebeu trazer um pouco mais de esperança, alegria e paz às pessoas da comunidade. Trajano ouviu, refletiu, repensou e mudou. Já me parece um ótimo começo.

Muitos de nós também já conhecem a práxis de Marcos Monteiro[17] na Comunidade de Jesus[18], em Feira de Santana . Percebo naquela prática de comunhão uma atitude extremamente saudável tanto para Marcos quanto para a comunidade onde se inseriu: a convivência atenciosa e mais ouvinte que falante. Penso que conviver seja uma rara e formidável maneira de criar laços de amizade em níveis mais profundos. A confiança que daí surge gera, “naturalmente”, condições necessárias para uma verdadeira abertura e troca de aprendizados e libertações de parte a parte, a despeito dos problemas e desgastes inerentes a esse paradigma. Mas penso que a partir dessa convivência e reais inserção e comunicação, seja possível encorajar e nutrir com mais credibilidade, dentro de si e da própria comunidade, sentimentos e práticas mais solidários de resistência ao consumismo desenfreado e de respeito aos seres humanos e às diferenças que lhes são inerentes, e de uma consciência de responsabilidade individual e coletiva num projeto de transformação que, se vier a se consumar, assim será na caminhada da comunidade, pela própria comunidade. Esse também me parece um ótimo começo.

 

Jeyson Messias Rodrigues

Teólogo, estudante de Ciência das Religiões pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, e de Ciências Sociais pela
Universidade Federal de Alagoas.  Atualmente, leciona História do Cristianismo no Seminário Teológico Batista de Alagoas. Outros textos do autor encontram-se disponíveis em http://jeysonrodrigues.blogspot.com.


[1] Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB).
[2] Rótulo com o qual se estigmatizou os padres que, perplexos com aquele quadro, largaram seus cargos e, às vezes, sua fé.
[3] Rf. I Pedro 3. 18-21.
[4] Outros pensadores políticos como Ralph Miliband e o próprio Marx, a posteriori, em sua obra “O 18 brumário de Luís Bonaparte”, apresentam outras leituras possíveis e menos pessimistas sobre o papel do Estado.
[5] Cf. Romanos 13. 1-2.
[6] Potencial desalienante observado em diversos movimentos de cunho sócio-político que desde os movimentos proféticos hebreus eram alimentados pela mística, pela fé.
[7] Prédios onde funcionam os cursos no campus da UFAL.
[8] Expressão de Leonardo Boff.
[9] Uma das imagens mais difundidas e vendidas atualmente, alimentando o capital pela crítica feita ao próprio capital.
[10] Oficialmente o nome não deriva de um exclusivismo, mas de sua ênfase na libertação, esta, principalmente sócio-político-econômica.
[11] Centelha divina que em todos e todas, habita.
[12] Ressalva: parece demasiadamente pretensioso sugerir que temos a verdade a ser revelada.
[13] Parece demasiadamente ingênuo sugerir que a injustiça estrutural esteja velada ao povo, antes de qualquer proclamação minha ou nossa.
[14] Referência aos primeiros esforços antropológicos que subestimaram as culturas nativas.
[15] Expressão de Zygmunt Bauman.
[16] Mais informações sobre o Pr. Adriano Trajano e seu trabalho pastoral em Chã Preta encontram-se disponíveis em http://pastoradrianotrajano.blogspot.com.
[17] Marcos Adoniram Lemos Monteiro é mestre em filosofia, pastor na Primeira Igreja batista em Bultrins, Olinda-PE, e na Comunidade de Jesus em Feira de Santana-BA e vice-presidente do Centro de Ética Social Martin Luther King Jr. Mais informações sobre o autor em seu blog: http://madoniram.blogspot.com.
[18] Mais informações sobre a Comunidade de Jesus disponíveis em http://comunidade-dejesusbahia.blogspot.com.

              

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
________________. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
BERGER, Peter. O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. 5.ed. São Paulo: Paulinas, 2004.
Bíblia Tradução Ecumênica. São Paulo: Loyola, 1994.
BOFF, Leonardo. Teologia do Cativeiro e da Libertação. Petrópoles: Vozes, 1980.
_____________. Novas fronteiras da igreja: o futuro de um povo a caminho. Campinas: Verus, 2004.
DALAI-LAMA. Uma ética para o novo milênio: sabedoria milenar para o mundo de hoje. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 43.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
____________. Pedagogia da autonomia. 36.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da Libertação. 5.ed. Petrópoles: Vozes, 1985.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: Feuerbach – a contraposição entre as cosmovisões materialista e idealista. São Paulo: Martin Claret, 2005.
_________________________. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Escala, s.d.

_________________________. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. In: Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-omega, s.d.
MILIBAND, Ralph. Marx e o Estado. In: BOTTOMORE, Tom. Karl Marx. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.
MONTEIRO, Marcos. Um jumentinho na avenida: a missão da igreja e as cidades. Viçosa/MG: Ultimato, 2007.
QUEIRUGA, Andrés Torres. Um Deus para hoje. 3.ed. São Paulo: Paulus, 2006.

publicado por Re-ligare às 17:17
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