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Sábado, 26 de Julho de 2008
Em busca de uma eclesiologia encarnada

                   

Possivelmente falar de uma encarnação da Igreja pode soar esquisito para muita gente, considerando que nenhum compêndio de teologia sistemática e ou ainda os melhores manuais sobre eclesiologia ensina qualquer coisa nesse sentido.

Muito bem, mesmo correndo o risco de ser mal interpretado ou não ser entendido, ouso dizer que nesse momento é exatamente disso que estou em busca.

Parece estranho que a teologia seja farta quando trata da encarnação do Logos na pessoa de Jesus e que a Igrejas tenha feito (e ainda faz) um esforço enorme para explicar o sentido e a razão dessa encarnação.

Hoje mais do que nunca eu entendo a encarnação. Descobri que ela não é um mistério como afirmaram os Pais Capadócios, na verdade ela é real, palpável e plenamente compreensível. Vejo a encarnação como a mais pura manifestação da graça, do amor e da misericórdia de Deus,(Deus se vez carne e habitou entre nós) lembrando que quando ele encarnou não havia lugar para ele.

Talvez o sentido dessa encarnação seja bem mais simples do que aquilo que emergiu dos longos e desgastantes debates sobre a encarnação que dominou a Igreja por séculos.

Para entender o sentido da encarnação, não precisamos discutir se Jesus tinha duas natureza (diofisismo) ou apenas uma (monofisismo), se era ou não da mesma substância do Pai (homoousios) ou de substância semelhante (homoiousios). Além disso, o debate sobre a encarnação pode prescindir do conhecimento acerca das vontades de Jesus (se era uma ou duas). Se nele coexistiam duas ou apenas uma pessoa (pessona), nem interessa saber acerca da existência de “união hipostática” (hipóstases) entre a humanidade e a divindade de Jesus. Se Maria foi mãe de Deus (teotokos) ou apenas a mãe de Cristo (Cristotokos) A verdade é que ninguém “encarnou” Deus como Jesus o fez, a sua humanidade foi tão completa que nele Deus se tornou conhecido em toda a sua extensão.

Olhando para as escrituras, emerge do texto Paulino que a Igreja é o “Corpo de Cristo”, ora não nos parece paradoxal que este “corpo” esteja “desencarnado”, “espiritualizado” isto é que não exista uma teologia para a encarnação da Igreja?

Estou convencido que uma Igreja que não experimente a encarnação, não pode ser considerada como “Corpo”, uma vez que corpo é a expressão material do ser.

Penso na encarnação da Igreja, como a coisa mais urgente a se buscar na teologia e mais uma vez, relembro que tal encarnação nada tem a ver com a terminologia que embasou o discurso da Igreja sobre a encarnação do verbo.

Penso em uma Igreja encarnada nos moldes daquela encarnação que se manifestou em Jesus de Nazaré, que de forma plena exercitou sua humanidade. Penso em uma Igreja que seja Espiritual, sem deixar de ser humana que olhe para cima sem se esquecer das terra, onde a preocupação com o céu e inferno não seja motivo para esquecer as mazelas que afligem os homens aqui e agora. Que o discurso sobre o “pecado original”não faça a Igreja voltar os seus olhos para o passado, esquecendo que mais cruel que o “pecado de Adão” e o pecado da alienação,  da indiferença para com aqueles que jazem ao nosso lado, nas ruas e até mesmo dentro das nossas comunidades.

Penso em uma Igreja encarnada, onde a adoração a Deus não seja desculpa para manter os cristãos enclausurados entre quatro paredes, inertes e apáticos, cantando como que para fugir da realidade.

Sonho com uma Igreja com carne e osso cujo sangue corra nas veias da sociedade para oxigenar e trazer nova vida. Não como sal dentro do saleiro e como luz embaixo do alqueire.

Que o ser diferente não represente isolamento mais que assim como o “encarnado” seja fermento que misturado á massa promova o seu levedamento e que assim essa “massa” se torne pão, alimento para aquele que perece de fome. Que os problemas sociais de hoje e não apenas as histórias do passado sejam temas para as mensagens de domingo

Lembremos que os “sãos” não necessitam de médicos, (nem de remédios) e que a encarnação do verbo é um sinal de que não se pode servir a Deus a não ser servindo ao próximo.

Penso em uma Igreja encarnada, onde a pureza não seja um sinal de exclusão. Uma Igreja Encarnada pode ser comparada a um hospital para onde os doentes são levados (e onde permanecem) na esperança da restauração. Que o desejo de ser “levitas” e “sacerdotes” não torne a Igreja indiferente ao sofrimento do outro, mas que possamos preferir (contrariando a visão mais conservadora) ser uma Igreja “samaritana” que acolha o alquebrado concedendo-lhe conforto e alento.

Acredito na encarnação da Igreja como um remédio para o distanciamento entre Deus e os homens, que Deus não seja conhecido apenas pela doutrina e pelos sermões pregados acerca do que Deus fez, aprendemos que o “encarnado” pouco falou sobre Deus no entanto, suas ações mostraram a face do pai transfigurada na sua.

 Acredito que Deus não será conhecido por meio de teorias sobre revelação, inspiração, iluminação ou qualquer outra doutrina da teologia sistemática. Confesso que cada vez que busco explicações nesses compêndios, parece que Deus se oculta (de propósito) levando nos a pensar que a verdadeira revelação de Deus se dá na práxis da Igreja.

Uma Igreja Encarnada consegue conjugar santidade e humanidade no mesmo projeto, sem a neurose agostiniana de ver o material como algo essencialmente mal. 

Uma Igreja que se encarna pode sentar-se à mesa com os pecadores sem medo de se contaminar, acolher os pobres, os marginalizados e excluídos, sem que para isso tenha que desprezar os ricos e até mesmo os opressores, eles também são alvos da graça e da misericórdia de Deus.

Não estou dizendo que conheço esta Igreja, embora seja possível que ela já exista como protótipo, mas sonho com o dia em que em algum lugarejo, desse mundo em algum lugar no futuro essa Igreja nasça.

Mas temo que a exemplo do “encarnado de Nazaré” quando esta Igreja chegar não haja lugar para ela.

 Pr. Neilton Azevedo 

 aluno do Mestrado em Ciência das Religiões

 

publicado por Re-ligare às 16:45
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