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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
Tempo glorioso para a Bíblia

 

 

1.Nos confrontos, que vi e li, com José Saramago, por causa das suas declarações sobre Deus, as religiões e a Bíblia, a insistência recaía sempre no mesmo: “Saramago pronuncia-se, de forma rotunda, acerca do que ignora”. Ele, pelo contrário, declarava que conhecia suficientemente a Bíblia e os malefícios das religiões para poder dizer o que disse.
Longe de mim pensar que estes confrontos, nos meios de comunicação – atingem multidões –, sejam totalmente inúteis, embora não possam vencer a sua inerente superficialidade. Nestes casos, cada um reforça as suas posições. Quem não gosta de Saramago fica confortado: ele pensa que sabe tudo e não sabe. Quem gosta dos seus livros, das suas opções políticas e culturais lamenta o tom dos seus pronunciamentos, mas não perde a fé no escritor. Um certo paternalismo apressa-se a reconhecer a sua capacidade de ficcionista, mas pede-lhe que, fora da ficção, se cale muito caladinho para não atropelar o prestígio de um Prémio Nobel, tanto mais que não temos muitos.
2. De qualquer modo, este foi um tempo glorioso para a Bíblia, em Portugal. Veremos se terá ou não consequências duradoiras.
Como Lutero não passou por cá e como foi no estrangeiro e fora da Igreja Católica que o tradutor da Bíblia para português no século XVII, João Ferreira Annes d’Almeida, exerceu o seu apostolado bíblico, as Sagradas Escrituras repousaram em latim. Catecismos, sermões e devoções substituíam-nas, pretendendo gozar das significações do texto sem o texto. Por outro lado, sobretudo a partir do século XIX, tornou-se inevitável o confronto entre as ciências humanas e a Bíblia. O mundo católico não podia evitar o que estava a acontecer no mundo protestante. O famoso dominicano Marie-Joseph Lagrange (1855-1938) fundou, em 1890, no meio de suspeitas e proibições, a Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É o mais antigo centro de pesquisa bíblica e arqueológica da Terra Santa, estabelecido nos espaços do convento dominicano de St-Étienne, convento fundado, em 1882, sob o nome de Escola Prática de Estudos Bíblicos, sublinhando a sua especificidade metodológica. Coroando anos e anos de investigação e de publicações científicas, surgiu a famosa Bíblia de Jerusalém (1956). Na altura, os exegetas insistiram na sua grande diferença: além da tradução dos originais do hebraico, aramaico e grego, apontava a contextualização histórica, dentro do ambiente físico e cultural, relativo à época em que cada livro foi escrito. Era uma obra que reflectia "a união do monumento e do documento", na linha de Lagrange, ligando "a arqueologia, a crítica histórica e a exegese dos textos".
Este feliz resultado só foi possível porque a tensão entre os exegetas e o magistério eclesiástico abrandou nos começos dos anos 40 do século passado e foi oficializado com a publicação da encíclica Divino afflante Spiritu (1943).
3. O catolicismo português viveu bastante alheio não só à revolução que tinha acontecido na investigação da Bíblia e dos seus mundos, como ao próprio movimento bíblico das Igrejas. Já não estamos, propriamente, nessa situação. Sem pretender fazer a história da viragem, temos de realçar o grande trabalho que os Padres Capuchinhos começaram a desenvolver a partir de 1951. Em 1975, assumiram um rumo colectivo: o apostolado bíblico. Hoje, a Difusora Bíblica organiza uma multiplicidade de actividades e publicações. A mais conhecida é, certamente, a tradução da Bíblia Sagrada. Além das Semanas Bíblicas, a nível nacional e regional, editam duas revistas (uma de carácter popular e outra científica), a Actualidade Bíblica semestral e traduzem os prestigiosos Cadernos Bíblicos. Na Internet é fácil medir o volume desse esforço.
Entretanto, vários biblistas, quer a nível de divulgação quer a nível académico, já não permitem que se diga que, em Portugal, ninguém sabe nada de Bíblia.
Este ano, muitos portugueses foram surpreendidos com a nomeação do dominicano, Francolino Gonçalves, para a Comissão Bíblica Pontifícia. Não admira. Está há 40 anos, investigando e ensinando, na já referida Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém: “vivo lá enclaustrado. A minha vida é quarto e biblioteca. Praticamente, não necessito de sair. Outrora saía mais, quando estava ocupado com as viagens arqueológicas da Escola”. De facto, só os convites para cursos breves e conferências o têm levado a todos os continentes. Marcou os anais da investigação, em certas áreas do Antigo Testamento, tornando-se uma referência incontornável nos grandes centros de investigação.
Não esquece os seus começos: “Recordo-me que tive – em Portugal – um professor extraordinário, Frei Raimundo de Oliveira. Tinha uma capacidade de comunicação absolutamente excepcional. Sabia muito, mas sabia ensinar ainda melhor”. Ele também tinha sido aluno da Escola Bíblica de Jerusalém.
É urgente que um conjunto de estudos de Francolino Gonçalves, absolutamente fundamentais, dispersos por revistas portuguesas de escassa tiragem, seja publicado numa edição que destaque a sua importância para a cultura nacional.
 
Frei Bento Domingues, O.P. (Fonte: PÚBLICO, 01.11.2009)
 
 
publicado por Re-ligare às 18:45
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