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Domingo, 7 de Fevereiro de 2010
Sou um teólogo feliz, de Frei Bento Domingues, o.p.

 

1.É este o título que o italiano Francesco Strazzari deu a um livro – traduzido em várias línguas – elaborado a partir de colóquios com Edward Schillebeeckx. É uma das portas de entrada na vasta obra, de permanente inquietação humana e teológica, de alguém que, mesmo no meio das maiores dificuldades, se considerava um teólogo feliz. É também aquela que permite uma visita guiada que desperta a curiosidade sem dar a falsa ideia de que se passou a conhecer essa construção imensa e, para ele, sempre provisória (1).
E. Schillebeeckx nasceu em Anvers (Bélgica) em 1914, era o sexto de catorze irmãos. Entrou nos Dominicanos em 1934 e foi ordenado padre em 1941. Fez os seus estudos de filosofia e teologia em Lovaina e o doutoramento na célebre Faculdade teológica do Saulchoir, preparado na École des Hautes Etudes (Paris). Foi professor de Teologia e Hermenêutica na Universidade de Nimega (Holanda), tornou-se um dos teólogos mais influentes do Concílio Vaticano II e participou na fundação da revista internacional de Teologia, Concilium. Faleceu nas vésperas do Natal, a 23 de Dezembro de 2009.
2. Nesse pequeno livro há dois textos, em anexo, que me tocaram de modo especial. O primeiro é uma carta que o jovem Schillebeeckx recebeu de S. M. Matthijs em resposta ao pedido para entrar na Ordem de S. Domingos. Ele tinha frequentado o colégio dos Jesuítas e um dos seus tios era missionário jesuíta na Índia. Ele fez outra escolha e nisso não há nada de especial. O que me impressionou, na reprodução dessa carta / agenda para um início de caminhada, foi o reencontro com uma pessoa que conheci, já com uma idade muito avançada, em Roma. Matthijs escreveu muito pouco, mas foi num dos seus curtos textos em latim, sobre a explicação da coincidência de fundo entre a perspectiva do grande monge beneditino Odo Casel e a de Tomás de Aquino acerca de Cristo nosso contemporâneo – é, hoje, que acontece e se celebra o que aconteceu há dois mil anos – que me confirmou numa linha de investigação que ainda hoje me provoca. Foi num tempo em que S. Tomás era utilizado para invalidar a proposta daquele beneditino que morreu, em 1948, a cantar, na Vigília Pascal, o Lumen Christi.
O outro texto é do próprio Schillebeeckx, de homenagem a outro dominicano, Dominique Chenu (1895-1990), do qual Étienne Gilson dissera: “Padres como Chenu não há mais do que um em cada século” e de quem Alçada Baptista afirmava que esse era dos poucos teólogos que lhe deu a impressão de acreditar verdadeiramente em Deus. Foi o contacto com Dominique Chenu – um homem que soube pela rádio, durante a Segunda Guerra Mundial, que um dos seus livros tinha sido posto na lista dos livros proibidos pelo Santo Ofício – que provocou a maior evolução do percurso teológico de Schillebeeckx. Fez suas as palavras do medievista, Jacques Le Goff, nas exéquias desse grande homem: “o padre Chenu ensinou-me – como talvez muitos historiadores gostariam de o ter feito, sem de tal serem capazes – a clarificar o desenvolvimento da actividade teológica e do pensamento religioso na história, situando-os no centro da história universal, onde, sem dela depender, podem ser situadas entre a história económica e a história social, a história das ideias e a história eclesiástica em todas as suas dimensões materiais e espirituais”. E observa: o não-crente foi o único a ser aplaudido calorosamente na Igreja de Notre Dame (Paris).
3. No século XX, a Igreja em Portugal não gastava muito com teologia. A própria revista Concilium vive, hoje, exilada no Brasil. Quando era editada em Portugal, pudemos ouvir, em Lisboa, em 1966, E. Schillebeeckx a falar sobre O Deus oculto. O texto dessa memorável conferência foi publicado nos Cadernos o tempo e o modo – 3. Temos, também em português, um dos seus últimos textos sobre a identidade cristã enquanto desafiante e desafiada (1).
Entre estes dois momentos, este teólogo passou três vezes o cabo das tormentas com a Congregação para a Doutrina da Fé que, durante a presidência de J. Ratzinger, viveu um regime da maior arbitrariedade. E. Schillebeeckx foi sempre um investigador rigoroso, tanto na primeira fase dedicada ao pensamento medieval e patrístico, como em relação à análise da modernidade, à nova elaboração da cristologia e à história e prática dos ministérios na Igreja. Era rápido em rever posições de ordem histórica ou exegética, quando a crítica era fundamentada. Para ele, no entanto, a elaboração de uma hermenêutica teológica era um direito e um dever inalienáveis. Não aceitava, por isso, acusações de heresia ou de atentados à fé cristã em nome de outras interpretações que pretendiam ter o exclusivo da ortodoxia católica. Apesar de todos os dissabores, nunca lhe passou pela cabeça abandonar a Igreja e mostra-se muito agradecido aos seus superiores dominicanos, quer flamengos quer holandeses, pela abundante liberdade que, desde o começo, lhe concederam no seu trabalho teológico.A história humana, nos seus limites e contrastes, foi para ele a narrativa misteriosa do Deus oculto.
 
 (1) Je suis un théologien heureux, Cerf, Paris, 1995.
(2) A Identidade Cristã: Desafio e Desafiada. A propósito da extrema proximidade do Deus não-experimentável, in Anselmo Borges (Coord.), Deus no século XXI e o futuro do cristianismo, pp. 405-429.
 
Fonte: PÚBLICO, 2010. 01. 10
publicado por Re-ligare às 12:28
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