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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Humanidade violenta

                   

Introdução
Há um ano atrás o país adormecia chocado com uma reportagem televisiva. Não era uma produção cinematografica mas a dura realidade da violência na escola. Governantes, professores, psicólogos e alunos foram então chamados reflectir e, na formulação das várias opiniões, explicarem causas e aventarem soluções.
Um ano passou sobre este episódio e a realidade é ainda mais cruel. Não tanto pelo crescimento da epidemia e dificuldades no combate a este «vírus» mas pela inércia que vigora. Um ano depois, o assunto apenas voltou a ser matéria de discussão devido à polémica gerada em torno do novo estatuto do aluno.
As próximas linhas não pretendem ser uma tese cientifíca sobre a violência praticada no âmbito vida escolar mas antes uma reflexão sobre a violência presente no interior do ser humano. Isto porque, para o autor das mesmas, é importante colocarmo-nos a montante se com eficácia queremos resolver os problemas a juzante. Assim, procuramos partir do local onde a maioria destes debates terminaram para chegar mais além, isto é, ultrapassar a ênfase das condições sociais do homem, para compreender a própria natureza do homem. Não pretendemos apontar soluções correctivas mas contribuir para que, no alargar dos horizontes, as estratégias a adotar possam contemplar medidas de prevenção da violência a partir da compreensão da natureza do ser humano como um todo.
               
 
  1. O que é a violência?
Não podemos reflectir convenientemente sobre este tema sem antes nos perguntarmos: O que é a violência? Isto, para que o conceito de violência não seja alienado e com ele as consequentes estratégias de prevenção no combate à mesma.
A violência é, na sua origem, e até mesmo na sua essência, um conflito. E um conflito que, por falta de cooperação de ambas as partes pode ser agravado. É esta crise, sobretudo de comunicação, que suscita uma tensão conducente a um processo que, partindo de uma simples atitude contra o direito de alguém pode terminar na mais cruel tirania. Gostava aqui de fazer uma resalva para reflectirmos que violência não é apenas um acto irascivél, uma agressão verbal ou física. Muitas vezes ela nasce e prolifera em atitudes de indiferença que, muitas vezes camufladas, não deixam contudo de serem uma expressão violenta não menos preocupante.
 
Não podemos ficar indiferentes perante as guerras, os ataques terroristas, a barbárie da tortura que têm vindo a ser praticada em prisioneiros de guerra ou civis, o aumento da deliquência juvenil e a associação criminosa de grupos marginais, a violência doméstica que flagela mais de 15 mil mulheres e o aumento dos maus-tratos dos pais aos filhos. Todavia, também precisamos de nos preocupar do mesmo modo, senão até com maior afinco, para combateer a violência na condução dos automobilistas, a violência de uma sociedade dopada em ansioliticos e anti-depressivos, a violência inerente ao consumo de drogas e alcool em populações cada vez mais jovens e, neste contexto geral, a violência praticada nas escolas.
A violência consiste na violação dos direitos do outro.
 
A haver uma solução para a violência nas escolas, ela não se tornará efectiva e duradoira sem uma mudança da comunidade onde está inserida ou seja, mudança de pensamento, inclusive de cultura. Precisamos abandonar a concepção de uma violência associada estritamente ao derramamento de sangue a qual, nos aliena e nos torna indiferentes perante a violência praticada no campo das palavras, dos sentimentos das emoções e atitudes mais rudimentares. Pior que a alienação é a adopção destas práticas como forma de comunicação aceitável.
              
               
  1. A vida social contemporânea reveste-se de uma violência sem precedentes!
 
Os factos confirmam uma crescente manifestação de comportamentos violentos e isto, quer no âmbito de acções individuais, quer colectivas.
Todavia, mais do que a quantidade de violência precisamos observar a evolução da qualidade da violência. A barbárie praticada nos campos de batalha, associada no passado a uma sociedade bélica, não foi extinta. Dissimulada, constatamos que ela deflagra e coabita na sociedade hodierna – paradoxalmente herdeira do direito romano e da tradição judaico cristã.
Por mais que labore, quer as instituições governamentais, quer as científicas não têm conseguido encontrar a melhor resposta para as múltiplas tensões que diariamente deflagram nos relacionamentos sociais. Diferenças culturais, racismo, injustiça social, infidelidade, ódios e vinganças levam o indivíduo a descorar quaisquer valores, inclusive os cívicos. Sobretudo a desenvolver um falso conceito de justiça: “popular” ou “pessoal”.
               
             
  1. Quais as razões que podem estar no actual clima de violência que impera na nossa sociedade?
 
Temos por tentação pensar na violência como um produto da sociedade moderna fruto do agravamento das condições sociais. De facto as tensões e descriminações sociais acentuam-se. Urge reflectir urgentemente como combater a criminalidade infantil ou, como havemos de travar a crescente onda de delinquência juvenil?
 
Não podemos negar a realidade: as relações difíceis multiplicam-se. Como é possível o término de alguns namoros terem contornos tão horrendos? Continuamos a ouvir falar cada vez mais de violência doméstica, onde impera as agressões e os abusos sexuais! Mais de 7 mil mulheres foram vítimas de violência no primeiro semestre do ano. 
 
Por outro lado, podemos redobrar a vigilância nas portas dos aeroportos ou das escolas, porém, a violência entra-nos pelas janelas das nossas casas mediante programas repletos de ódio e vinganças.
 
Permanecer ou eternizar esta questão esconde parte do problema e hipoteca a resolução. O conflito não é apenas social nem tão pouco reside no choque de gerações. O problema está em nós não no vizinho.
            
               
  1. Educação para a prevenção da violência começa em nós.
 
O modelo educacional por excelência deveria ser o contexto familiar. A educação para a não-violência deveria começar em nossas casas. Porém, o nosso grande problema é que a família faliu. Vivemos de um modo geral completamente destruturados. Falamos da violência nas escolas mas os nossos filhos vivem as mentiras, as discussões e a toda sorte de violência na sua casa. Por outro lado, quando há alguma estabilidade emocional, quantas vezes abafamos as nossas consciências e incitamos os nossos filhos a retorquirem do mesmo modo quando os mesmos são alvo de violência dos colegas? Uma atitude muitas vezes legitimada sob a forma de auto-educação para a vida dura que eles irão enfrentar ou sob o epíteto de uma afirmação de independência.
No lugar de prevenção para a educação os pais são os primeiros a fomentar as formas de violência mais rudimentares. Não há violência boa ou má? Há violência e deve ser encarada como nocisa e erradiada desde o seu início. Quantos pais procuram educar seus filhos na resolução de conflitos com os irmãos? A resposta mais generalizada é: - “São irmãos entendam-se!!!!” Que autoridade tem um pai que assiste a um filme violento de proibir o seu filho de assistir ao mesmo? É fácil ignorar o aspecto nocivo e esperar que ele seja o suficiente maduro para perceber que se trata de uma obra de ficção.
 
A prevenção contra a violência só terá significado se a aceitarmos como uma questão nossa. Não do vizinho. Todos nós somos potenciais agentes de violência. Assim, como pais devemos estar atentos para o facto de capitalizar os confrontos de opinião na família em momentos de diálogo e reflexão. Os nossos filhos não devem crescer isolados dos problemas ou tensões familiares, mas da demonstração violenta do poder quer em palavras, agressões verbais ou até mesmo físicas entre os seus progenitores.
Independentemente das posições que as várias escolas sociológicas adoptam sobre a real influência da violência da televisão sobre as crianças e isto, tendo em conta o factor das suas condições sociais, como educadores não podemos ficar indiferentes aos conteúdos a que os nossos filhos podem ser expostos. Dos programas de animação infantil repletos de violência físíca ao entertenimento para adultos que, testando fidelidades, nos conduz à violação de sentimentos e consequente violência verbal, etc... directa ou indirectamente os meios de comunicação difundem imagens e mensagens que, quando não são criticadas, isto é, abordadas reflecivamente, podem ser catalizadoras de violência em determinadas circunstâncias. È responsabilidade dos pais educar os filhos para a distinção entre os produtos construtivos do lixo, ainda que este se apresente embalado com certificado de qualidade.
              
                
  1. Qual deverá ser a melhor resposta a este problema?
 
De uma forma geral, a violência deve ser abordada por todo o tipo de instituições. Desde as governamentais às religiosas, destaca-se em especial as instituições responsáveis pelo entretenimento, o qual de um modo aparentemente inofensivo, difunde uma mensagem com impacto irreversível. Para o bem, ou mal, os mídia têm um enorme potencial num contributo ímpar na luta contra a violência. Infelizmente os interesses económicos inviabilizam muitas vezes tais intentos. Contudo, um esforço contínuo entre todos os parceiros de educação cívica, formação pessoal etc.. poderá conduzir as próximas gerações a uma séria responsabilidade social. A abordagem a este problema passa, indispensavelmente, entre outras coisas pela educação para a gestão de conflitos. Crianças, adolescentes e adultos, deverão ser educados para a gestão dos conflitos que deflagram no seu cotidiano, sejam eles de menor ao maior gravidade. Se uma criança for educada pelos país a resolver a gestão dos seus conflitos com os irmãos, quando crescer estará mais preparada para o embate do conflito de interesses no mercado laboral. Todavia, no horizonte social e político não se vislumbra esta desejada solução. Será nosso destino viver dominado por este clima de violência? Não!
 
Se para alguns a solução passa por mais policiamento, mais tribunais, mais prisões, para outros tudo isto fica a juzante. Não podemos combater apenas as consequências inerentes à violência e desprezar a montante a fonte dessa mesma violência. Corremos o risco de alienarmo-nos em múltiplas questões e, não só nos desgastamos, como o nosso tempo esgota. Deste modo é com relevância que a Bíblia consagra especial atenção ao tema da violência, não só ousando abordá-la sem rodeios como, corajosamente, apresenta um plano de combate. O plano de Deus em erradicar a violência do homem.
 
Assim, para aqueles que ousam ler e integrar os ensinos da Bíblia crendo que os mesmos contribuem para a resolução dos problemas do quotidiano, podemos identificar alguns princípios transcendentais:
 
5.1 Reconhecer que a natureza humana é conflituosa.
 
Todos estes conflitos acima referidos resultam de um conflito pessoal por resolver. A instabilidade emocional leva o homem a comportamentos que comprometem os seus relacionamentos. Segundo as Sagradas Escrituras os conflitos interpessoais têm origem no conflito individual e este encontra a sua génese no conflito entre o homem e Deus. No mais ancestral dos crimes relatado no livro de Génesis encontramos um conflito entre irmãos que termina num homicídio. Na observação da narrativa podemos verificar que a violência é iniciada nos sentimentos interiores de Caim. O conflito interior de Caim dá lugar ao conflito com o seu irmão. Primeiro, não tomando a iniciativa de ofertar a Deus ousa fazer também a sua oferta - provavelmente numa atitude de competitividade em ser o preferido. Segundo considerando-se preterido devido às suas motivações em ser o eleito, rejeitou o apreço que Deus demonstrou pela a atitude voluntária do seu irmão. O sentimento de rivalidade assume o controlo das suas emoções e a solução é aniquilar o seu adversário. Por mais antiga que seja esta história, ela continua actual. Ela revela-nos a fonte da nossa violência: o ciúme que sentimos do outro – pelo que é ou tem.
 
Conforme o mesmo texto refere as motivações humanas erradas tiveram origem neste ciúme. Pois também Adão e Eva tiveram ciúmes dos privilégios de Deus. Invejando-o desejaram ser igual a Ele e desobedeceram aos estatutos divinos. Esta desobediência de Adão teria como efeito a separação entre Criador e criatura, ficando o homem entregue a si mesmo (Gn 2 e 3). A Bíblia refere, como resultado dessa condição, os consequentes distúrbios individuais e, em consequência disso, os sociais. Muitas são as histórias bíblicas cuja raiz da violência assenta no espírito do ciúme que gera rivalidades (Gn 27 e 37) No tempo de Jesus, vemos a mesma rivalidade disputada pelos seus discípulos pedindo ao mestre que lhes confiasse os lugares principais, de maior poder e prestigio. (Mc 10, 35-37) Separado de Deus, o homem exterioriza os sentimentos que o perturbam, a fonte que, conforme afirmam os textos sagrados, o destrói.
O combate à violência começa no reconhecimento da nossa natureza violenta e no assumir dos nossos sentimentos de inveja e egoísmo. Precisamos identificar este desejo de sermos maiores em poder ou prestígio ou até mesmo o medo de não sermos estimados como gostaríamos – má auto-estima também pode gerar ciúmes e conduzir-nos a comportamentos que potenciam a violência.
 
5.2 Atrever a uma mudança interior…
 
Podemos identificar esta fonte porém, como podemos nós escapar dela?
Para além de identificar as raízes da violência a Bíblia apela a uma mudança. Não apenas de atitudes mas acima de tudo de carácter. Isto porque, muitas vezes os nossos instintos e desejos só não se tornam uma ameaça para os outros porque temos medo das consequências. Não matamos ou roubamos porque condenamos o acto mas porque tememos a pena. Obedecemos às leis que regulam a vida social por medo e não pelo respeito aos direitos dos outros.
Com efeito o paradigma que Jesus Cristo deixou como regulamento da vida social por excelência; Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a nós mesmos (Cf. Mc 12:28-34), torna-se o mais relevante na medida que apela a uma mudança do nosso carácter. Exige que tenhamos um comportamento assente no sentimento de amor que temos por nós próprios e não nos escondermos atrás de comportamentos, ainda que socialmente correctos as motivações estão erradas.
 
Por outro lado, estas palavras nos colocam perante o facto de que a mudança capaz de remover todo o ódio que impera no coração do homem depende da restauração do seu relacionamento com Deus. Sozinho o homem não é capaz deste amor. Por isso, na medida em que ele consegue cumprir a primeira premissa - Amar a Deus - será então capaz de responder à segunda - Amar o outro como a si mesmo. No texto do profeta Ezequiel (36-37) verificamos a relação destas duas premissas. Haverá um tempo em que Deus promete transformar os nossos corações de pedra em carne, ou seja, a nossa dureza em sensibilidade. Consequentemente esta restauração não resolve apenas o nosso conflito pessoal, como manifesta-se imperativamente na nossa vida social. A harmonização da vida conjugal, familiar, amigos e colegas, traduzirá a paz que alcançamos na reconciliação com Deus. Uma paz que transforma o indivíduo, reconciliando-o consigo mesmo, e por isso o conduz à paz com os outros.
 
5.3 Atrever a uma nova atitude na vida
 
O célebre diálogo entre Jesus e Nicodemos deixa-nos perante a inauguração desse novo tempo e a certeza da possibilidade de uma nova humanidade. Não uma reencarnação ou retorno ao útero materno mas uma nova atitude na vida. Uma oportunidade de um novo começo. Deste modo, constatamos o cumprimento do texto do profeta Ezequiel Acompanhado agora pelo próprio Deus, esse novo coração é capaz de nova atitude, de aprender a ser um novo homem (Ez 36:25-29).
 
5.3.1 Capaz de ser pacificador
 
Esta nova humanidade é agora capaz de combater os seus excessos, nomeadamente o da auto-valorização. No lugar de nos valorizarmos excessivamente, desvalorizando os outros em consequência disso, é possível agora ver valor naqueles que outrora desprezámos, inclusive até mesmos os nossos inimigos. (Lc 6:20-35) A vingança que nos governava e alimentava a violência dá assim lugar a uma nova atitude de pacificação. Atitude semelhante às dos apóstolos cujo sentimento do desejo de poder sobre os seus inimigos (Lc 9:54) deu lugar ao reconhecimento do seu valor (Act 8:15).
 
5.3.2 Capaz de perdoar
 
O exemplo de Jesus como representante do novo homem (I Cor 15:45), de uma nova lógica na vida: a capacidade de perdoar, abre-nos perante o horizonte de uma nova humanidade (Ef 2:15). Porque perdoar é “o acto de reunir o que se dividiu”, atitudes de perdão promovem o empenho na reedificação dos relacionamentos. Permeando construção da unidade, a prática do perdão reconstrói tanto o homem como sociedade onde vive. E porque o perdão não está obrigado por qualquer lei, perdoar significa restaurar a liberdade. Não só pela oportunidade de começar de novo mas também pelo facto de, libertando-nos do passado, encaminha-nos para uma nova história onde as lembranças do conflito são substituídas pela memória da reconciliação. Acima de tudo a vida de Jesus revela-nos que o perdão não é um sinal de fraqueza mas uma demonstração de amor. Porque amou Jesus perdoou o abandono dos discípulos, o flagelo daqueles que o torturavam a indiferença de quem assistia ao seu sofrimento. Por fim, porque agora somos capazes de perdoar, Jesus lança-nos o maior desafio da nova humanidade: perdoar como ele perdoou. Um convite à possibilidade de transcendência humana porque perdoar como Jesus perdoou torna-nos semelhantes a ele. E isto, começando por orar como ele orou “Pai nosso que estás no céu (…) Perdoa-nos as nossas ofensas como nós perdoamos aos que nos ofenderam.” (Mc 6:9,12)
 
5.3.2 Capaz de servir
Por outro lado, esta nova humanidade é agora também capaz de servir. O ciúme, a ambição desenfreada, o prestígio que outrora promoviam violência, são possíveis de substituir. A máxima de Jesus “aquele que quer ser grande deve servir os outros” (Mc 10:43-44) é agora uma possibilidade prática. A resposta à violência passa por compreender o significado e a necessidade de sermos humildes. Na sociedade contemporânea precisamos de atrevimento para não fazer da humildade sinónimo de fraqueza. São Paulo exorta os crentes de Filipos a serem humildes e que a sua humildade tenha como referencial o exemplo de Jesus (Fp 2:3-11).
 
A Bíblia não nos apresenta uma vida fantástica antes, coloca o homem perante a violência real que existe dentro de si e apresenta-lhe uma proposta para combater a mesma. Esse caminho começa na reconciliação com Deus, a qual permeia a reconciliação pessoal e consequentemente a social. Tão só, tenhamos a coragem suficiente para crermos na mensagem de Cristo (Mc 16:16), aceitarmos o seu perdão e deixarmos que Ele possa moldar-nos de acordo com os seus propósitos – “a paz na terra entre todos os homens a quem ele quer bem” (Lc 2:14). Homens capazes de paz, perdão e serviço.

                    

Simão Daniel Cristóvão Fonseca
Aluno do Mestrado em Ciência das Religiões
Texto publicado em: IMAGO DEI. Revista Teológica do IBP // nº12 // 2º Semestre de 2008
 

 

publicado por Re-ligare às 17:47
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2 comentários:
De carolina a 3 de Setembro de 2008 às 08:36
É... Para combater um dos maiores males do século, a violência, o ponto de partida tem de ser o indivíduo na sua relação com Deus.
É isso aí!
De Zé da Burra o Alentejano a 16 de Fevereiro de 2009 às 11:55
Agora querem aumentar de 16 para 18 anos, a idade para o consumo de álcool. Mas "O FRUTO PROIBIDO É O MAIS DESEJADO". Os Estados Unidos tiveram a lei seca, época em que à sua custa se fizeram muitas fortunas, mas que depois foi banida. Agora começa o ocidente caminha de novo no mesmo sentido, mas, até de acordo com o ditado popular acima, quanto mais proibirem, pior será e já estamos a ver o efeito: Não têm o exemplo das outras drogas? e dos países nórdicos? Não é qualquer proibição que vai reduzir o consumo, antes pelo contrário: os jovens na sua irreverência natural sentir-se-ão mais atraídos ao consumo e ao exagero...
E depois: Será boa a alternativa, beberem exageradamente Coca Cola, a Fanta...? Qual será o resultado em termos de diabetes quando tiverem 30/40 anos?

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