Blog dos docentes, investigadores e alunos de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona (Lisboa)
.posts recentes

. RAMADAN - PRIMEIRA PARTE

. FALTAM APENAS DUAS SEMANA...

. JEJUM, UM ALIMENTO PARA A...

. “LA ILAHA – ILLA LLAH” – ...

. MI'RAJ — A Ascensão do Pr...

. RELEMBRANDO: A NOITE DE M...

. OS INÚMEROS BENEFÍCIOS PE...

. OS INÚMEROS BENEFÍCIOS PE...

. OS PRIVILÉGIOS E AS RESPO...

. SURAT FUSSILAT

.arquivos

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

Segunda-feira, 26 de Julho de 2010
Aterosclerose nas artérias das ideias

 

 

"Plaudite, amici, comedia finita est." Com estas palavras Beethoven expirou pela última vez. “Aplaudam, amigos, a comédia acabou”. Esta era também a frase tradicional para a finalizar a performance da “commedia del arte”.

Para Nietzsche, o meu filósofo preferido, «a comédia da existência ainda não se tornou consciente; por enquanto é ainda o tempo da tragédia» … aquele tempo que poderíamos chamar de tempo das instituições do ar sisudo. E sempre a espécie humana decretará de tempos a tempos: «Há qualquer coisa sobre a qual ninguém tem o mínimo direito de rir». Mas tudo é risível meus amigos…tudo! E talvez haja ainda um futuro para o riso. É como se nos faltasse ainda o terceiro dia das festas dionisíacas, no qual se passava da representação da tragédia para a comédia.

Kolakowski, filósofo polaco, escreveu um ensaio cujo título poderíamos traduzir por “O Sacerdote e o bobo da corte». Para ele, todas as sociedades têm estes dois tipos de homens, sacerdotes e bobos da corte. Os primeiros são aqueles que sacralizam o existente e colocam o selo do absolutismo no conhecimento que circula como moeda corrente. A missão deles é preservar o passado e enrijecer o presente. Para mim, esses são os que provocam aterosclerose nas artérias das ideias. Os segundos são os que têm a audácia de rir e fazer rir…desconcertando o poder sisudo, monolítico, enquanto (sem que ninguém dê por isso) organizam um novo concerto de ideias.

Octávio Paz, poeta mexicano, afirmava ser missão do intelectual fazer rir pelos seus pensamentos e fazer pensar por suas piadas.

Rubem Alves, filósofo brasileiro, diz que talvez por força dos feitiços teológicos – no livro do Humbero Ecco, «O nome da Rosa», o irmão Pedro amaldiçoava o riso como coisa demoníaca – por força desses feitiços, dizia, fomos levados a ligar o riso à leviandade e à falta de seriedade. «Assim, estou sempre correndo o risco de ver as coisas que digo com a seriedade do riso serem ignoradas como nada mais que uma brincadeira».

Não nos levemos demasiadamente a sério…; não vale a pena, porque ninguém sairá daqui vivo, li algures. E não esqueçamos que o homem, sendo o animal que mais sofre, é ainda assim o único que inventou o sorriso.

 

Luís Melancia

Docente na Lic. em C.R.

publicado por Re-ligare às 08:35
link do post | comentar | favorito
|
..
.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Julho 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.links
.Fazer olhinhos
blogs SAPO
.subscrever feeds