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Terça-feira, 1 de Julho de 2008
COMO SE CONHEÇE A JESUS?

 

A pergunta proposta remete-nos ao texto do Evangelho segundo Lucas cap. 24, vers. 13-35, o qual nos deixa pasmos e perplexos com as atitudes do Nazareno. Para mim, o texto citado suscita numa série de indagações, a saber: Se conhece a Jesus, orando, louvando, lendo a Bíblia diariamente, evangelizando? Se conhece a Jesus, sendo fiel nos dízimos e nas ofertas, guardando as doutrinas, tradições, princípios, costumes e sacramentos? Se conhece a Jesus, jejuando, freqüentando regularmente as atividades da Igreja, fazendo votos de fé e obedecendo os seus líderes? Se conhece a Jesus, fazendo parte de uma Religião ou Igreja, recebendo uma carteirinha de membro e tendo cargo vitalício na instituição? Se conhece a Jesus, recebendo um santo numa sessão espírita ou oferecendo oferendas aos espíritos? Se conhece a Jesus, estudando teologias, Ciências das Religiões, as línguas bíblicas e elaborando homilias convincentes? Se conhece a Jesus rezando o terço diariamente, sendo um fiel contribuinte dos veículos de comunicação que propagam as boas novas? Se conhece a Jesus, atrofiado nos guetos eclesiásticos submissos ás “santas” autoridades constituídas por deus? Se conhece a Jesus, expulsando demônios, gritando histericamente, chorando e até mesmo falando em línguas estranhas? Por fim, se conhece a Jesus, na Bíblia ou na vida? Vale ressaltar que respeito todas as práticas supracitadas. Conhecer a Jesus, talvez, não constitui-se tarefa fácil, mas tentarei de alguma forma, observar o texto de Lucas e, assim, tentar extrair algumas imagens que julgamos ser interessantes para o caminhar diário. Bom, a primeira imagem é do Jesus que aparece subitamente e começa a caminhar com o casal, Jesus caminha conosco; a segunda imagem é do Jesus que logo começa a conversar com o casal, Jesus conversa conosco; a terceira imagem nos ensina que não basta apenas conhecer as Escrituras, pois as obras vêm antes das palavras, Jesus vai além de palavras; a quarta imagem testa até onde vai nossa prática da fé, isto é, o Jesus que simula não está cansado da longa caminhada e, nem tampouco, com fome, Jesus espera uma atitude nossa, a quinta imagem é do Jesus que entra na casa do casal, assim Jesus entra em nossa casa; a sexta imagem nos apresenta o Jesus que fica hospedado conosco; a sétima imagem traz o Jesus que parte o pão e distribui conosco, Jesus nos desafia a prática da partilha; a oitava imagem nos ensina que devemos abrir os nossos olhos para a realidade que tão de perto nos rodeia; a nona imagem quer a disseminação da prática da partilha, pois só assim os nossos olhos serão abertos; a décima e última imagem diz respeito a insistência na prática da partilha, observem os versículos seguintes (36-42), Jesus diz: “... Vocês têm aí o que comer...?Jesus pede-nos ação. Mediante o exposto, de notar que essas imagens remetem-nos á outras passagens bíblicas que propõem conhecer Jesus. Percebo que o casal (Cleopa e Maria), representa muito bem as comunidades pós-ressurreição, de fato, só conheceu a Jesus, no partir do pão. Desse modo, partindo da leitura dos textos, sinto-me extremamente distante de conhecer a Jesus, creio que essas imagens ainda estão ofuscadas na minha caminhada cristã. Sinceramente creio que tenho conhecido mais a Igreja e o Cristo dos Céus do que o Jesus que sente fome e pede-me comida. Com isso, não estou fazendo apologia á prática de assistencialismos paternalistas e exclusivistas, mas só desejo de coração ardente, buscar tratamento para a minha “miopia” e quase “cegueira” da fé e, acima de tudo, ser mais humano e menos cristão.
 
Adriano Trajano

                                                                                                                  (Irmão)

publicado por Re-ligare às 11:23
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2 comentários:
De Dimas de Almeida a 1 de Julho de 2008 às 23:16
COMENTÁRIO DE DIMAS DE ALMEIDA

O texto do Evangelho (Lucas 24:13-35) evocado por Adriano Trajano é um texto soberbo. Como há poucos. E ainda por cima escrito num grego que é dos melhores do Novo Testaqmento. Dele disse Ernesto Renan coisas magníficas. Limitar-me-ei a uma breve reflexão.

Dois cristãos estão no caminho (o caminho da desilusão) que conduz de Jerusalém (a cidade do drama de dois dias antes, drama que lhes trespassava os ossos) a Emaús (a aldeia-lugar-de-habitação).
Era o domingo da Páscoa, mas para eles não havia Páscoa. O abandono que sentiam nos corações era o da Sexta-feira Santa, com todo o seu cortejo de ignomínia e de morte. Um deles é um homem e fica-se a saber o seu nome (Cleopas); o outro deve ser uma mulher (não é nomeado) se tivermos em conta os costumes e normas do patriarcado mediterrânico.
Ora, eis que o Jesus ressuscitado se une a eles e começa a fazer caminho com eles.
Caminho - o caminho de Emaús - que é, neste caso, diferente do outro, do de Damasco, que vai ocorrer com Paulo, dois ou três anos depois: aqui não há nenhuma luz que jorra do céu; aqui não há vozes celestiais. Não há nem uma demonstração evidente nem um reconhecimento imediato. Mesmo quando Jesus lhes explica a Escritura sobre o sofrimento e a glorificação do Messias, os caminhantes não o reconhecem. Os olhos permanecem fechados. É que estão profundamente mergulhados num horizonte, (o seu horizonte), de onde a esperança tinha sido erradicada.

E, contudo, convidam o estranho para que fique com eles e com eles coma. Curiosamente, não é ele quem os convida; são eles que o convidam a ele. Convite que leva à refeição. Mas é ele quem pega no pão, pronuncia a bênção (obviamente a bênção eucarística), e a refeição acontece. A primeira igreja está reunida ("Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei eu no meio deles" podemos ler no Ev. de Mateus 18:20 E é aí que o reconhecimento acontece. Os corações aquecem, os olhos abrem-se, diz-nos o texto.

Texto que, ao rejeitar dicotomias estéreis, envereda pelo caminho de uma síntese.

Paradoxalmente, podemos ler: "Então os seus olhos foram abertos e eles reconheceram-no; de seguida tornou-se-lhes invisível". O reconhecimento, aqui, supõe uma invisibilidade; a invisibilidade um reconhecimento. Há que não separar o que aqui está unido

- o humano e o divino
- a terra e o céu
- a Palavra (a Escritura) e o pão (a eucaristia)
- a tradição e a mesa
- a raiz e a utopia

Que não separemos aquilo que Deus uniu. De contrário é grande o risco de, ao olharmos para as nossas mãos, não encontrarmos nelas nem o humano nem o cristão.

Dimas de Almeida (1.Julho.2008)
De João Pedro Robalo a 17 de Julho de 2008 às 22:37
Não querendo entrar em polémicas, não posso deixar de considerar que o texto em causa é suficientemente revelador sobre, pelo menos um meio, para se chegar a um conhecimento satisfatório do Jesus que se deixa conhecer.
Eu desejo ser mais cristão e humano, e, penso que se complementam e não se excluem.
Sem precisar de abordar tudo o que o texto nos transmite, há pelo dois aspectos que são suficientes para a pergunta levantada.
A 1ª refere-se à dificuldade em crer nos meios e métodos escolhidos pelo próprio Deus para que o homem conheça o seu salvador. Foi essa a observação que o próprio Jesus fez referência "tardios de coração para crer".
Se de alguma forma podemos chegar a uma conclusão objectiva seguindo a observação do autor da nossa salvação, este é sem dúvida esse momento. Jesus diz que para se conhecer e entender os factos era preciso crer. Tão simples como isso; crer.
O outro aspecto que considero pertinente, é a aula teológica e cosmológica que Jesus começa a lecionar aos seus companheiros de viagem.
Desde Moisés e através de toda a tradição profética Jesus explica como toda a escritura falava de um único tema. Ele Filho de Deus prometido para executar o único plano de salvação planeado por Deus.
E, se queremos dar crédito ao significado de Jesus, tanto nesse dias como em todos os tempos, essa coleção de ideias por ele explanadas que ligam um trajecto único e sem variações ao longo de uma história, devem ter sido proventura, a melhor aula de todos os tempos.
Invejo estes dois discípulos por terem tido esta oportunidade única de compreender de uma forma sistemática e continua o plano de Deus para toda a criação falado e explicado na primeira pessoa de Jesus.
Se alguma vez na História alguém conseguiu dar uma lição completa sobre como tudo esteve sempre ligado, fazia sentido e concretizava-se na pessoa de Jesus - por outras palavras Jesus era o Cristo - este foi de certo o momento e a tal "aula".
O impacto foi tal que alguns dos discipulos de Jesus começaram a usar o mesmo método de ensino quando lhes era dada oportunidade; como Pedro, Estevão, Paulo, entre outros.
Se não realçar mais nada, sei que há mais, pelo menos duas coisas posso ver: Crer e conhecer o pensamento das Escrituras, parecem suficientes para se conhecer Jesus.

Bem-haja

João Pedro Robalo

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