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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
Tema da Semana: MAHR (DOTE?)

Assalamo Aleikum Warahmatulah Wabarakatuhu (Com a Paz, a Misericórdia e as Bênçãos de Deus) Bismilahir Rahmani Rahim (Em nome de Deus, o Beneficente e Misericordioso).

 

JUMA MUBARAK

 

A tradução literal da palavra árabe “Mahr” para “Dote”, não corresponde à verdadeira essência da tradição Islâmica. O dote, na acepção da palavra, não faz parte do Islão.


O dote foi “transportado” para o Brasil, pelos Portugueses, após os descobrimentos. Famílias ricas, donas de grandes herdades, procuravam casar os filhos entre eles, de modo a garantirem o fortalecimento das fortunas. Os moços sem recursos, dificilmente conseguiam penetrar na teia, bem emaranhada pelos progenitores. A moça levava um dote, em bens ou em dinheiro, para engrossar a fortuna do noivo e da respectiva
família. Na Europa aconteceu um pouco por todos os países, até ao final do século 19. Nos países africanos, a sul do Sahara, nomeadamente nos Zulus e em Moçambique, existe o “lobolo”, uma tradição bem antiga que ainda perdura. O noivo presenteia os pais da noiva, com diversos bens e dinheiro (entre os camponeses, inclui gado bovino ou caprino). Estes presentes, são para compensar todas as despesas suportadas com
o crescimento, saúde e educação da noiva, já que vai render os seus trabalhos para a família do marido.


Na Índia, no meio Hindú, continua ainda a tradição centenária do dote, que consiste em bens e dinheiro dados pela família da noiva, para ela atrair um bom marido, sem o qual, não consegue arranjar um companheiro. Os referidos bens, passam para a propriedade da família do noivo. É uma desgraça para uma família, quando se anuncia o nascimento duma filha. Uma filha, para alguns hindus, significa um pesado fardo. Os
pais encontrarão grandes dificuldades em casar as filhas, já que a tradição requer que elas vão para a casa dos maridos com dinheiro e bens avultados que os pais dificilmente conseguirão amealhar durante o crescimento delas, agravada com a situação de penúria em que vivem, sem condições financeiras para as alimentar e educar. Por isso, muitos pais abandonam as filhas, aumentando assim as redes de prostituição infantil. Com as tecnologias das ecografias, os abortos são uma constante.


Algumas referencias, no Islão, acerca das virtudes de cuidarmos as nossas filhas: 1)- Abu Said Al-Kudri (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse: “Se alguém cuidar de 3 filhas, tratando-as bem, dando-lhes educação, casá-las, ele irá para o paraíso”. – Abudawud – Livro 41, nº. 5128. Nota: outra passagem também refere o mesmo só para uma filha. 2)- Aisha (Radiyalahu anha), esposa do Profeta, referiu: “Uma senhora, acompanhada de duas filhas, veio ter comigo para me solicitar algo como esmola. Não encontrei nada, a não ser uma tâmara que lhe dei. A mãe dividiu a tâmara e deu às duas filhas e depois foi embora. Quando o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalamo) chegou, informei-lhe acerca deste acontecimento. Ele me disse: “Quem é responsável (e é posto à prova) pelas filhas e as trata generosamente, então elas irão actuar a favor dela/dele, como um escudo protector contra o fogo do inferno”. Bukhari – Livro 73, nº.24.

 

No início da era islâmica, o casamento era uma cerimónia simples, que não pesava para os noivos, nem para os respectivos pais. Infelizmente, nos tempos actuais, o casamento torna-se uma grande preocupação, pois requer um investimento avultado. Algumas famílias muçulmanas da Índia, do Paquistão e do Bangladesh, assumem algumas tradições hindus, contrárias aos nossos ensinamentos religiosos. O melhor casamento é aquele que é menos oneroso financeiramente para as famílias do noivo e da noiva.


O verdadeiro Mahr, faz parte do contrato do casamento Islâmico. Refere o Cur’ane: “E concedei às mulheres (com quem casardes) os seus dotes, como presente…” 4:4. O mesmo se aplica quando o casamento é feito com as mulheres cristãs ou judias. Cur’ane 5:5. É um presente do noivo dado á noiva, na altura do casamento e que esta vai utilizar para o seu próprio proveito. O mahr dado pelo noivo, em bens ou em dinheiro, torna-se propriedade exclusivo da noiva e não pode ser devolvido em caso de divórcio. É um símbolo de aceitação de que o futuro marido assume a responsabilidade de suportar todas as despesas com o lar. Apesar da lei Islâmica instituir que cabe ao homem a responsabilidade pelo sustento da família, no entanto, é permitido que a mulher possa trabalhar e ter os seus próprios rendimentos.

 

Não foi fixada uma quantia certa para o mahr. O valor está directamente relacionado com o estatuto económico do noivo. A mulher deve ponderar seriamente no que se refere ao valor do mahr, de modo a não criar dificuldades ao noivo. Se o noivo tem plenas posses financeiras, não há mal nenhum em dotar à esposa de uma soma avultada. Sobre este assunto, há uma passagem ocorrida com o segundo Califa Umar al-Khatab (Radiyalahu an-hu), quando estava a dar um sermão, no qual pediu às pessoas para refrearem nos avultados mahrs, lembrando que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) recomendou não se dar mais de 400 dhirams. Imediatamente, uma mulher levantou-se e desafiou-o, citando o versículo 4:20 do Cur’ane: “Se desejardes trocar uma esposa por outra, a quem tenhais dado uma soma de dinheiro (um quintar- 1.200 onças de ouro), não tireis nada do dote…” O Califa Umar disse depois: “A mulher está certa e o Umar está errado. Quem puder, pode dar o que quiser dar”. No caso do noivo não ter posses, pode pedir emprestado ao pai ou à família, mas deverá pagar o empréstimo, num prazo estipulado.


Sem o dote, o casamento é incompleto, segundo a jurisprudência Islâmica. Sahl Bin Sad (Radiyalahu an-hu), referiu que o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) disse:“Casem, mesmo com o mahr igual a um anel de ferro. Muslim – Livro 62 – Hadice 80. Outra passagem referido por Anas Bin Malik, de que Abdur Rahman Bin Auf casou com uma mulher e lhe deu ouro equivalente ao peso duma pedra tâmara, como mahr. Quando o Profeta (Salalahu Aleihi Wassalam) percebeu os sinais de alegria, transparecidos no rosto dele, perguntou-lhe os motivos e ele disse: “Casei com uma mulher e dei a ela, como mahr, ouro equivalente ao peso duma tâmara pedra”.


Existem muitas passagens em que os noivos não tinham nada para dar e comprometiam-se a ensinar algo às esposas, como por exemplo, ensinar-lhes os versículos de Cur’ane.
Um bom dia de Juma.
Cumprimentos
Abdul Rehman Mangá
16/12/2010

publicado por Re-ligare às 18:15
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