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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
Pai de todas as Virtudes… (2)

 

O perdão não é um tema restrito ao mundo das artes. Ele fez história e constituiu-se, também, como uma experiência indispensável na vida social.
 
Em 1989, num gesto simbólico, o Presidente da República Dr. Mário Soares pediu perdão pelas perseguições que o povo judeu sofreu em Portugal. Posteriormente, em 1996, o parlamento português votou por unanimidade a revogação do Decreto de Expulsão dos Judeus em Portugal. Na Sessão Evocativa dos 500 anos desse documento, o Presidente da República em exercício, Dr. Jorge Sampaio, referia: “Esta decisão, tomada em nome do Povo Português, assume um alto significado simbólico e tem um excepcional valor pedagógico. É como se, hoje, restituíssemos uma parte do que, há 500 anos, fora negado.”
 
Quem não se lembra do célebre pedido de perdão de Mehmet Ali Agca pela tentativa de homicídio do Papa João Paulo. Finalmente, a histórica e uma das mais famosas confissões de culpa e respectivo pedido de perdão, o da Igreja Católica ao povo Judeu mediante a pessoa e ministério de João Paulo II.
 
Apesar da palavra, aparentemente, começar por pertencer à dimensão religiosa ou moral dos indivíduos, verificamos que, a eventual génese divina deu lugar a várias aplicações do conceito nas restantes esferas da vida social.
 
A história da literatura portuguesa deve a jóia da sua coroa, a epopeia “Os Lusíadas”, a um acto de perdão. Preso em 1553, o poeta português Luís Vaz de Camões, recebeu a sua “Carta de Perdão” a fim de partir na famosa viajem para a Índia. O Perdão Régio foi concedido pelo rei, condicionando porém o nosso poeta prisioneiro ao serviço do Reino.
 
Correlativamente, na história contemporânea observamos a prática do apelidado Perdão Político. Associada às comemorações do 25 de Abril, 25 de Novembro ou eleição de um novo Presidente da República, a Assembleia da República pode conceder a anulação ou redução do tempo de uma pena. Já o Indulto se distingue pelo facto de ser proposto pelo ministro da Justiça e concedido pelo Presidente da República.
 
Do âmbito político para o fiscal, a popular Lei Mateus apresentou-se como uma proposta do governo em conceder aos contribuintes uma redução substancial do pagamento de um imposto de forma a promover a regularização das suas dívidas fiscais – em particular na tentativa de salvar alguns clubes de futebol. Enquanto o Estado supostamente beneficiava de algum encaixe financeiro (provavelmente de dividas que por prescrição dos processos ou falta de condições no pagamento da totalidade nunca seriam pagos), aos contribuintes em falta foi concedida a oportunidade de recuperar a sua estabilidade financeira.
 
Pioneiros e exemplares, no campo económico os noruegueses fazem do perdão da dívida aos países mais pobres um princípio importante da sua política de desenvolvimento. Com este gesto procuram contribuir para a redução da pobreza participando assim, activamente, no desenvolvimento desses países. O seu exemplo tem sido também uma influencia para que os países mais ricos considerarem a possibilidade de perdoar as dívidas dos países mais pobres. Perante a catástrofe que em 1999 assolou Moçambique, Portugal perdoou 38% da sua dívida de modo auxiliar a reconstrução daquele país destruído pelas cheias.
 
Finalmente, podemos observar ainda a experiência do perdão no âmbito da saúde. As universidades de Michigan, Stanford e a Universidade da Comunidade de Virgínia, têm vindo a desenvolver várias pesquisas a fim de quantificar os efeitos que o perdão e o sentimento de ressentimento podem provocar na saúde. Estes estudos têm revelado que o ressentimento aumenta exponencialmente a probabilidade de ficar doente enquanto que, o acto de perdoar, evita o aumento de Cortisol no organismo – um homónimo responsável pelo stress – e promove o necessário equilíbrio ao bem-estar do nosso corpo.
 
Da cultura à história, da política à fiscalidade, da economia à saúde, podemos verificar a importância do perdão na construção da nossa organização social. Independentemente da sua matriz metafísica, o valor redentor inerente ao acto de perdoar apresenta-se como condição transcendental para um desenvolvimento sustentável, transversal a todas as sociedades.
             
Simão Daniel
(aluno do Mestrado em Ciência das Religiões)
publicado por Re-ligare às 10:31
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