Blog dos docentes, investigadores e alunos de Ciência das Religiões na Universidade Lusófona (Lisboa)
.posts recentes

. RAMADAN - PRIMEIRA PARTE

. FALTAM APENAS DUAS SEMANA...

. JEJUM, UM ALIMENTO PARA A...

. “LA ILAHA – ILLA LLAH” – ...

. MI'RAJ — A Ascensão do Pr...

. RELEMBRANDO: A NOITE DE M...

. OS INÚMEROS BENEFÍCIOS PE...

. OS INÚMEROS BENEFÍCIOS PE...

. OS PRIVILÉGIOS E AS RESPO...

. SURAT FUSSILAT

.arquivos

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
SÓ O AMOR É DIGNO DE FÉ

 

 
1.A Suíça não é só a pátria dos banqueiros, dos relógios e dos queijinhos da “vaca que ri”. No século XX, foi também a pátria de fecundos e grandes teólogos em trânsito para o grupo dos clássicos. Um é protestante, Karl Barth, e dois são católicos romanos, Hans Urs von Balthasar e Hans Küng. Os dois primeiros já morreram, cheios de glória, e o último continua a sua desafiante intervenção. Não consta que K. Barth e H.U. von Balthasar tenham passado por Portugal ou tenham sido, cá, muito traduzidos. Mais sorte tivemos com H. Küng que, por várias vezes, fez conferências em Lisboa, Porto e Coimbra e tem algumas obras publicadas entre nós. Uma das mais significativas, O Cristianismo. Essência e História, apareceu no Círculo de Leitores, na colecção “Nova Consciência”.
Em 2005, os cem anos do nascimento de Urs von Balthasar foram celebrados num congresso internacional com uma calorosa mensagem de Bento XVI. O Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa organizou, nos dias 24 e 25 de Outubro passado – nos vinte anos da sua morte – as I Jornadas Balthasarianas. Na colecção “Teofanias” (Assírio & Alvim), dirigida por Tolentino Mendonça, acaba de aparecer o formoso livro, “Só o Amor é digno de Fé”, cujo original alemão foi publicado em 1963. A tradução é de Artur Morão que, ao apresentar este pequeno livro, caracteriza a sua teologia: “O discurso balthasariano, que não visa nem assenta num sistema, realiza uma feliz conjunção de rigor filosófico e inspiração espiritual, de empenhamento teológico e missão cultural, de coerência lógica e vivacidade poética, de vivência intensa e de impulso protréptico ou persuasivo, de denúncia apaixonada e de convite amistoso, porque pretende justamente realçar o que, aos seus olhos, constitui o cerne da visão cristã: o Amor como Beleza”.
                
2. Rosino Gibellini (1) documentou, no século XX, dezasseis correntes teológicas de grande mérito – assim como uma prospectiva para o século XXI – com a consciência de que nenhuma delas pode substituir as outras. Esta pluralidade impede que se diga – como tantas vezes se faz – este ou aquele é o maior teólogo do século XX, porque essas gradações dependem, sobretudo, do gosto, dos limites e das preferências de cada um. Nenhuma elaboração teológica – ao situar-se no mundo da hermenêutica da fé – pode ter a pretensão de atingir um lugar e um estatuto, a partir dos quais avalia a importância e a ortodoxia das outras. Na Igreja católica, a Comissão para a Doutrina da Fé exerce um papel que, às vezes, dá a ideia de assumir essa posição impossível. As teologias só podem ser fecundas, quando cada uma sabe que é um ponto de vista parcial e consente em se deixar interrogar e questionar pelas outras. Como em muitos outros campos, é mais corrente a prontidão em procurar ser compreendido do que em tentar compreender. No prefácio ao “Só o Amor é digno de Fé”, o próprio H.U. von Balthasar confessa: “Este ensaio ilustrará, por isso, o desígnio da minha obra mais vasta, Herrlichkeit, de uma «estética teológica» no duplo sentido de uma doutrina da percepção subjectiva e de uma doutrina da automanifestação objectiva da glória divina; mostrará que este método teológico, muito longe de ser um produto acessório, pouco relevante e dispensável, do pensamento teológico, deve, pelo contrário, como o único definitivo, pôr-se no centro da teologia, ao passo que a verificação cosmológica e histórica e o exame antropológico podem, quando muito, surgir como pontos de vista complementares e secundários” (p.24).
Aquilo que apelida de «estética» tem, aí, um carácter puramente teológico: é o acolhimento, só apreensível na fé, da glória do amor soberanamente livre de Deus, que a si mesma se manifesta. Diz isto não só para se demarcar das outras teologias, mas também de todas as outras tentativas estéticas que o precederam e que nomeia.
                      
3. “Falar de poesia parece-me sempre impossível. De um poema só se pode dizer o próprio poema. Quando muito podemos tentar – sem interpretar – reconhecer o que lá está”. Esta observação de Sophia M.B. Andresen exprime, em parte, o desejo de H.U. von Balthasar perante a revelação de Cristo e a caracterização da identidade cristã. Como diz e bem, “não é possível colocar outro texto por baixo do texto de Deus, que por ele se poderia tornar legível e compreensível ou, dizemos nós, mais legível e mais compreensível. O texto de Deus deve e quer explicar-se a si mesmo”(p.52).
O que é que terá levado este teólogo a não se recolher no puro silêncio? O cristianismo nasce da difusão da palavra do amor e da sua beleza, não do seu cativeiro. Por isso, a estética teológica de H.U.von Balthasar não é uma teologia estética ao serviço de um cristianismo estetizante. O que ele procurou, através de uma construção imensa, foi apreender o estético da própria revelação, na evidência objectiva de Cristo, “obra artística de Deus”, sua exegese, expressão adequada e visível do Deus invisível, no mistério da Cruz.
 
(1)   A Teologia do século XX, São Paulo, Loyola, 1998; Prospettive Teologiche per il XXI secolo, Brescia, Queriniana, 2003.
 
 Frei Bento Domingues, o.p.
(1º dir. da Lic. em Ciência das Religiões)
 
publicado por Re-ligare às 10:52
link do post | comentar | favorito
|
..
.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Julho 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.links
.Fazer olhinhos
blogs SAPO
.subscrever feeds