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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
Pai de todas as Virtudes… (3)

 

 
Objecto de arte nas mãos dos mestres, experiência social fundamental à necessária reestruturação e viabilidade do desenvolvimento da sociedade, do que é estamos a falar quando falamos de perdão?
 
No término desta tripartida reflexão, proponho ao amável leitor um último desafio: uma reflexão pessoal, familiar e comunitária do perdão como fundamento da experiência cristã.
 
Nos dicionários perdoar significa absolver, desculpar ou poupar alguém de uma culpa ou dívida. Porém, a narrativa bíblica faz-nos uma proposta de reflexão além da acção. Confronta-nos com a natureza do perdão: a reconciliação. Voltando ao texto das origens, perdoar foi em primeiro lugar uma decisão de Deus na procura do homem escondido. Uma atitude com o objectivo de restabelecer as relações à condição original. Independentemente das consequências a curto ou longo prazo, perdoar implica reconciliar.
 
Tendo em consideração que o respectivo texto é procedido de um conjunto de sanções divinas, sequelas da desobediência humana deliberada, porque Deus perdoou? Por outras palavras, qual a razão que sustentou a sua decisão em procurar aquele que se escondia? Proponho 7 razões no enquadramento com a restante narrativa bíblica!
 
Porque perdoar reconstrói e (re) une
Enquanto acto de “(re)unir o que se dividiu”, o perdão reconstrói o homem e a Sociedade onde vive. As narrativas bíblicas revelam o perdão como fundamento da união: com Deus (anunciado por Jesus na última ceia) na família (Jacob reconciliou-se com o seu irmão Esáu); na política e defesa nacional (as tribos de Israel reconciliaram-se com a tribo de Judá); na proclamação do Evangelho (reconciliação entre os cristãos de Antioquia e Jerusalém). O Perdão devolve-nos a unidade, e a possibilidade de experimentar a paz que está para além da ausência de conflitos. Perdoar reconcilia e, mediante essa reconciliação, impulsiona a reconstrução do que estava destruído. Na prática do perdão, quantos indivíduos encontrariam a paz de que necessitam? Quantos casamentos seriam salvos? Quantos litígios entre país e filhos seriam resolvidos? Quantos confrontos sociais seriam evitados? Quantos conflitos laborais seriam sanados? Quantos povos reatariam de novo as suas relações?
 
Porque restaura e liberta.
Perdoar significa restaurar e devolver à liberdade, pois, apela não só à restauração dos relacionamentos destruídos mas também à libertação para uma nova oportunidade. Na tradição judaica, o Jubileu – perdão social concedido de 50 em 50 anos (Lv 25) – tinha por objectivo restaurar a ordem primordial: que os homens fossem livres. Assim, as famílias endividadas eram absolvidas do compromisso de servir o credor e eras-lhes concedida liberdade. Liberdade para um novo recomeço e liberdade para reconstruírem a vida como seres livres.
 
Porque dignifica.
Ao perdoar a mulher adúltera (cf. Jo 8, 1-11), Jesus transformou o humilhante julgamento popular num acto de amor e respeito pela dignidade da pessoa perdoada. O perdão transformou a prisioneira numa mulher digna de ser livre. Livre para recomeçar a vida e livre para não ser infiel outra vez, uma vez que o perdão transformou a condenação à morte em vida.
 
Porque é uma oportunidade de reflexão.
O acto de perdoar e sermos perdoados convida-nos a uma reflexão de consciência: a uma avaliação pessoal e social dos nossos comportamentos passados e, consequentemente, ao reconhecimento da importância de relacionamentos saudáveis no nosso dia-a-dia. Uma oportunidade de realizar uma rigorosa avaliação dos nossos valores de Justiça e Misericórdia.
 
Porque purifica a memória.
Ao perdoar reescrevemos uma nova história. A história do conflito dá lugar a história da reconciliação. Assim, na mediada em que a lembrança da reconciliação substitui a lembrança dos conflitos e consequentes divisões, purifica a nossa memória e estabelece um novo futuro. Liberta-nos da prisão do passado e encaminha-nos para um futuro livre.
 
Porque é uma demonstração de amor.
A Bíblia revela-nos a maior e a mais bela história de perdão. De tal modo Deus amou a humanidade de tal forma, enviou o seu Filho para nos perdoar...” (cf. Jo 3,16) Deus Misericordioso perdoando o homem rebelde. Amor divino transformado em favor humano. Porque amou, Jesus perdoou o abandono dos discípulos, o flagelo daqueles que o torturavam, a indiferença de quem assistia ao seu sofrimento.
 
 
Porque é um acto de trnscendência humana.
Somos convidados a perdoar numa medida que supera o perdão humano. Jesus ensinou-nos a perdoarmo-nos, como ele nos perdoou: uma doação que nada exige em troca, um acto gracioso que inclui, também, aquele que não nos pede perdão. Perdoar como Jesus perdoou, torna-nos semelhantes a Ele. A transformação da fragilidade humana em transcendência divina.
 
Existirá algum Imperdoável?
 
Um dia, um Rei chamou os seus devedores e impôs-lhes o pagamento das dívidas. Aqueles que não cumprissem, para além dos bens confiscados, eles e a família seriam também vendidos até liquidar as contas. Um deles, que devia dez mil moedas de ouro, não tendo como pagar, implorou ao Rei que lhe concedesse mais tempo. Sensibilizado com o pedido, o Rei teve compaixão dele e perdoo-lhe a dívida.
 
Saindo dali, este homem procurou um dos seus devedores e persuadiu-o a pagar-lhe a insignificante quantia que ainda lhe devia. Ora, não tendo este como pagar, implorou-lhe também que lhe concedesse mais tempo para saldar a sua conta. Porém, tal pedido não teve resposta e o credor ordenou que ele fosse preso até pagar toda a dívida.
 
Consternados com este acontecimento, alguns amigos do prisioneiro foram contar ao Rei o sucedido. Ora, o Rei mandou chamar o homem a quem tinha perdoado e, confrontou-o com o facto dele, depois de ter sido perdoado pelo Rei de uma tão grande dívida, não ter sido misericordioso para com os seus devedores. Como tal, o Rei retirou-lhe o perdão e ordenou que ele fosse preso até restituir todo o dinheiro. (Cf. Mateus 18: 21-35)
 
Para este Rei é imperdoável não perdoar, sobretudo, quando também já fomos perdoados.
               
Simão Daniel
(aluno do Mestrado em Ciência das Religiões)
               
A partir do quinto parágrafo o texto que vos escrevo fez parte de uma publicação da Sociedade Bíblica no âmbito da Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos (2006), a quem eu agradeço a gentileza em autorizar a sua utilização neste espaço.
publicado por Re-ligare às 16:25
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