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Sábado, 19 de Julho de 2008
Uma palavra

           

Há três anos publiquei este pequeno texto nos Evangelhos Comentados - 2007 (Lisboa, Firmamento). A base era um excerto bíblico: Jo 14, 23-29.

     

Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou. Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. Ouvistes que eu vos disse: Vou, e venho para vós. Se me amásseis, certamente exultaríeis porque eu disse: Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu. Eu vo-lo disse agora antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

 

                           

“A palavra que ouvis não é minha”
 
Dificilmente alguma vez poderemos dizer que tudo fizemos para verdadeiramente encarnar todo o bem que poderíamos ter levado aos outros. Quantas vezes, olhamos para os jornais, para o mundo, ou mais perto, para as soleiras das portas que pisamos, e percebemos o quanto se poderia realizar.
São complexos os tempos que correm. Sabe bem ir aos locais mais perigosos de África, onde todo o grão de vida se materializa num simples saco de cereal que pode fazer a diferença, e participar. Participar na decisão de ter enviado o dito trigo, a água, os medicamentos, mas também sabe muito bem ir mesmo ao local e carregar com um saco de 30 ou 50 quilos.
Em certos locais, 50 quilos de trigo são francamente mais pesados que noutros.
Mas é constante a imagem que nos persegue os olhos: que mais se poderia fazer? Todos temos aqueles pequenos seres que nos segredam aos ouvidos as máximas que devemos seguir. Falemos de ética, de princípios elaborados e depurados pelos tempos, e que regem a nossa vida, falemos simplesmente numa fada, num gnomo, que nos segreda a solução de um dilema, todos nos deparamos diariamente com os problemas que não resolvemos.
Colocados acima de nós próprios, saídos das nossas casas, dos confortos a que estamos habituados, as palavras são o único limite que nos prende a uma ideia superior de dever para connosco próprios.
 
“A palavra que ouvis não é minha, mas do Pai”.
 
Que a palavra é do Pai, diz-nos Jesus, o Cristo, o Salvador dos Cristãos. Crentes ou não crentes, judeus, muçulmanos, cristãos, budistas, hindus, bahá’ís, entre outros, todos procuram o bem máximo nas suas preces, nos seus caminhos, nos ensinamentos e nas palavras que consideram sagradas.
Sempre se disse, quase em jeito de provérbio, que o Homem é um animal racional ... mas é humano porque tem sentimentos. No sentido da compreensão da Condição Humana, cada vez mais esta afirmação é mais verdadeira e premente: temos que ter mais sentimentos.
Urge construir os caminhos do Mundo para que se afirme a condição do Homem. Máximo denominador comum das religiões do mundo é esse sentido de caminho, de busca, de aprofundamento entre o Mundo, o Homem e o Transcendente que enforma a sua moral e a sua ética.
Indo ao Darfur carregar sacos de cereal, ir dar aulas de português num território perdido de Timor Lorosae, ou indo simplesmente trabalhar com um mais rasgado sorriso nos lábios, é a parte que cada um vai podendo dar para esse caminho comum.
Estará Deus, diariamente, na sua palavra, com um sorriso amigo a olhar para nós? Conseguirá Deus ainda ter um sorriso?
A palavra, como a que damos a um amigo, a quem precisa de ajuda, é um sorriso. Como diz o provérbio chinês, uma imagem vale mais que mil palavras.
 
A palavra não é minha.
 
Que a Palavra é do pai, sabemo-lo todos. Mas quem a diz somos nós, numa mensagem de aproximação a Ele. Também o carregar dos sacos de cereal que todos devemos ter à nossa mão é uma oração, uma palavra feita coisa.
Como rezará Ele? Rezará por nós? Pelos milhares de quilos que uma cidade ocidental ingere diariamente de anti-depressivos? Pelos milhares de abandonados no Darfur?
Como a literatura medieval em que muitos pios, humanos como nós, desejavam ardentemente o chamado Dom das Lágrimas, uma forma de catarse e de subida a um nível superior de espiritualidade, também pela palavra de todos nós o próprio Deus deverá chegar mais longe dentro de si mesmo.
As nossas palavras, as nossas idas aos nossos darfurs, às nossas covas da moura, aos nossos psicanalistas, também são palavras do Pai. Que Pai não se sente pelo que um filho pranta.
 
A Palavra. É todos nós.
 

 

 

 

 

publicado por Re-ligare às 00:35
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