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Domingo, 14 de Dezembro de 2008
O FÓRUM CATÓLICO-MUÇULMANO


Após a tragédia da Índia, em Bombaim, ganha urgência maior o princípio de Hans Küng: não haverá paz entre as nações, sem paz entre as religiões; não haverá paz entre as religiões, sem diálogo entre elas e sem um novo ethos - uma nova atitude ética - global.

Lembro, pois, pela sua importância, o encontro inédito e histórico entre 29 muçulmanos, representando várias correntes do islão, e igual número de católicos, que teve lugar no Vaticano entre 4 e 6 de Novembro passado.

Quem não se lembra do célebre discurso de Bento XVI em Ratisbona, em Setembro de 2006, e da indignação por ele causada no mundo islâmico por alegadamente associar islão e violência? Foi assim que, em Outubro de 2007, um ano depois, 138 académicos, clérigos e intelectuais islâmicos do mundo inteiro, numa Carta a Bento XVI, com o título Uma Palavra Comum entre Nós e Vós, declararam que, apesar das suas diferenças, o islão e o cristianismo - as duas maiores religiões: juntas, representam mais de 55% da população
mundial -, partilham a mesma Origem Divina, a mesma herança abraâmica e os mesmos mandamentos essenciais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Também afirmavam que, se não houver paz entre os cristãos e os muçulmanos, não haverá paz no mundo.

A esta mensagem respondeu o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal T. Bertone, em Novembro de 2007: "Sem ignorar nem diminuir as nossas diferenças, podemos e portanto deveremos olhar para o que nos une."

Os contactos entre as autoridades católicas e muçulmanas conduziram, em Março deste ano, à instituição do Fórum Católico-Muçulmano e à organização do referido encontro no Vaticano.

No fim do Seminário, houve uma Declaração comum, em 15 pontos.  


Logo no primeiro, mostra-se como a concepção de um Deus, fonte de amor, é partilhada pelas duas religiões.

Afirma-se depois que "a vida humana é o dom mais precioso de Deus a cada pessoa. Portanto, deveria ser conservado e honrado em todas as suas etapas".

A pessoa requer "o respeito pela sua dignidade original e a sua vocação humana". Defende-se, por isso, uma legislação civil que assegure "a igualdade de direitos e a plena cidadania" de todos, e há o compromisso conjunto de "assegurar que a dignidade humana e o respeito se estendam a uma igualdade de base entre homens e mulheres".

O respeito da pessoa e suas opções em assuntos de consciência e religião "inclui o direito de indivíduos e comunidades praticarem a sua religião em privado e em público". Também "as minorias religiosas têm direito a ser respeitadas nas suas convicções e práticas religiosas".

"Nenhuma religião nem os seus seguidores deveriam ser excluídos da sociedade." A criação de Deus na sua pluralidade de culturas, civilizações, línguas e povos é "uma fonte de riqueza e portanto não deveria nunca converter-se em causa de tensão e conflito".

É necessário promover uma informação exacta sobre as religiões e proporcionar uma "sã educação em valores humanos, cívicos, religiosos e morais aos seus respectivos membros".

Católicos e muçulmanos estão chamados a ser "instrumentos de amor e harmonia entre crentes e para a humanidade em geral, renunciando a qualquer tipo de opressão, violência agressiva e terrorismo, sobretudo quando se cometem em nome da religião".

Sem justiça para todos, não haverá paz. Por isso, a Declaração apela aos crentes para que trabalhem em ordem a criar "um sistema financeiro ético no qual os mecanismos reguladores tenham em conta a situação dos pobres e deserdados, tanto indivíduos como nações endividadas".

No termo do Seminário, Bento XVI recebeu os participantes, apelando veementemente a que as religiões se tornem artífices da paz e a liberdade religiosa seja respeitada "por todos e em todos os lados". Certamente, pensava também nas minorias cristãs perseguidas em países de maioria muçulmana.

A Declaração conclui com o compromisso de realização de um segundo Seminário do Fórum dentro de dois anos "num país de maioria muçulmana". Oxalá!
 

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia
artigo publicado no jornal
Diário de Notícias

 

publicado por Re-ligare às 00:49
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4 comentários:
De Luís Melancia a 14 de Dezembro de 2008 às 12:58
1. Que bom que as formulações geniais de Hans Küng (das quais a «ética de futuro» é só uma delas) comecem a ser levadas em linha de conta, especialmente depois de lhe terem custado a excomunhão do Vaticano de João Paulo II.

2. Fica claro que esta «cimeira religiosa» foi entre o catolicismo e o islão. Mas não seria mais profícuo se fosse entre o cristianismo e o islão? Afinal, como dizia Antero, o cristianismo não se esgota no catolicismo. Continua a parecer-me que ao diálogo inter-religioso deve anteceder um diálogo intra-religioso… Já o defendi e continuo a defender: os cristãos (católicos, ortodoxos, protestantes) devem – têm!!! – de aproximar-se. Se o islão esteve bem representado através de 29 correntes do islão, o cristianismo esteve mal representado ao estar presente uma só corrente do cristianismo. O catolicismo esteve bem representado; o cristianismo não!

3. O Prof. Anselmo Borges não poderia ter terminado o seu texto de uma forma mais subtil e ao mesmo tempo mais certeira: oxalá, ou como quem diz, ua xá illah que assim aconteça…
De Welberg Rodrigues a 18 de Dezembro de 2008 às 11:29
A magia das palavras, as palavras encantam, iludem, contestam; existem palavras escondidas, palavras ao vento, jogo de palavras enfim muitos tipos de palavras. Era bom que estas palavras acima de tudo fossem palavras “verdadeiras.” Com “verdadeiras acções”. O que vemos no texto são apenas conjuntos de palavras, que quem sabe na próxima cimeira daqui a dois anos se tornarão real. Enquanto aguardamos são meras palavras perdidas, jogo de palavras ou quem sabe palavras d’Ouro.
1º. Como um líder muda de opinião em pouco tempo, um ano depois? Toda uma vida, um aprendizado, uma cultura, uma convicção religiosa? Palavras.
2º. Direito à liberdade religiosa? Mais palavras. Quando sugerimos que unidos somos 55%, onde ficam os 45%. Se dividirmos esta união para o bem de todos, 55 dividido por 2 é igual a 27.5%. a maioria ainda são os 45%.
Em fim a muitos pontos que realmente são meras palavras. Reconciliação, dever, responsabilidade, verdade, vontade, querer, não são só palavras, são actos assim como a ética, temos que colocarmos em prática. Palavras sem acção só valem nos romances, textos, declarações e…..muito mais. São só “palavras sem vida”
Welberg Rodrigues.
De Marcos Daniel a 1 de Janeiro de 2009 às 21:21
Sem dúvida estão-se a construir esperanças:

1 - Espero que este diálogo chegue a bom termo e a resoluções concretas.

2 - Espero que este diálogo seja escutado não só pelos cristãos, mas também por todo o mundo muçulmano.

3 - Espero que a opressão e a falta de liberdade religiosa vivida em certos países de maioria muçulmana se extingam.

4 - Espero, sobretudo, que esta torre que está a ser construída não se transforme na Torre de Babel do século XXI!
De Samuel Vicente a 6 de Janeiro de 2009 às 12:34
Logo no primeiro, mostra-se como a concepção de um Deus, fonte de amor, é partilhada pelas duas religiões.

Afirma-se depois que "a vida humana é o dom mais precioso de Deus a cada pessoa. Portanto, deveria ser conservado e honrado em todas as suas etapas".

A pessoa requer "o respeito pela sua dignidade original e a sua vocação humana". Defende-se, por isso, uma legislação civil que assegure "a igualdade de direitos e a plena cidadania" de todos, e há o compromisso conjunto de "assegurar que a dignidade humana e o respeito se estendam a uma igualdade de base entre homens e mulheres".

Todos nós, enquanto cristãos (católicos ou protestantes) concordamos com o teor da citação que transcrevo em cima. Sem dúvida que entendemos que a maior dimensão do cristianismo fundamenta-se nessa virtude (tantas vezes vivida de forma ambígua ) e que Cristo estabelece como o reflexo da Sua própria vida em nós ou da falta dela.

A história mostra-nos como, em períodos diferentes quer católicos quer protestantes, em defesa da fé havemos cometido tremendas atrocidades, No entanto, chegámos a esta pós modernidade com todos os desafios inerentes.

Obviamente não poderemos olhar o futuro sem esperança, nem com uma atitude derrotista. Permitam elabore um pequeno questionamento, considerando a dimensão do que representa o fórum católico-muçulmano (já começou mal pois deixou de fora uma larga fatia da cristandade, que a igreja católica não representa) mas de todo pertinente.

É claro para todos nós o instinto de auto-preservação que carregamos na nossa génese Se olharmos para dentro de nós mesmos, iremos perceber que temos grande dificuldade em sermos o "bom samaritano" da parábola de Cristo. Isso requer de nós uma renúncia desse mesmo instinto, que nos leva tantas e tantas vezes a olhar mais para o nosso umbigo que, em períodos de introspecção, até agonia.

A história é reveladora das imensas dificuldades que já passamos para viver este pequeno requisito do fundador do cristianismo. E se ainda entre cristãos ele não é muito observável, sê-lo-á numa dimensão maior de relacionamento entre povos como cristãos e muçulmanos?

É óbvio que temos de almejar, de sonhar com um mundo mais perfeito, não tenho uma visão apocalíptica da vida e do mundo mas já agora... o que faz o livro do apocalipse na escritura sagrada?
Não me parece que a Cidade do Sol alguma vez venha a existir. Esta nossa alma é levada da breca, quando queremos fazer o bem damos por nós a fazer o que não queríamos...

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